Encontrar um quarto a um preço acessível tornou-se uma das maiores dificuldades para quem frequenta o ensino superior longe de casa. Um inquérito promovido pela Associação Académica de Coimbra conclui que um em cada quatro estudantes já equacionou suspender a matrícula ou abandonar os estudos devido aos custos associados à frequência universitária, sobretudo com a habitação. Entre 2021 e 2025, o custo médio do alojamento em Coimbra aumentou mais de 50%, agravando a pressão sobre os orçamentos das famílias.
Apesar de Coimbra não integrar o grupo dos concelhos mais caros do país, a maioria dos estudantes sente o impacto da subida dos preços. Segundo o PÚBLICO, o valor de referência utilizado pelo Governo para o alojamento privado naquele concelho é de 338 euros por mês, enquanto Lisboa lidera a lista com 500 euros, seguida de Cascais, Oeiras, Amadora, Almada e Porto. O Funchal surge igualmente entre os dez concelhos com os custos de alojamento estudantil mais elevados.
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Os dados revelam ainda um mercado de arrendamento marcado por fragilidades. Cerca de 56,4% dos estudantes vivem em quartos arrendados no mercado privado e quase um terço afirma não ter contrato de arrendamento nem recibos de renda. A Associação Académica de Coimbra alerta que esta situação deixa os estudantes sem proteção perante aumentos abusivos, despejos ou conflitos relacionados com a caução, podendo igualmente dificultar o acesso a apoios sociais que exigem comprovativos formais de despesa.
Mesmo quando conseguem alojamento, os encargos continuam elevados. Dois terços dos estudantes que recorrem ao mercado privado pagam pelo menos 300 euros por um quarto e mais de metade suporta, além da renda, despesas com água, eletricidade, gás e Internet. Quase 30% dos inquiridos afirmam gastar entre 51% e 70% do orçamento mensal apenas com a habitação, enquanto 12,3% destinam mais de 70% dos seus rendimentos a esta despesa.
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Perante este cenário, o presidente da Associação Académica de Coimbra defende a criação de um contrato específico para o arrendamento estudantil, uma plataforma pública de intermediação de alojamento e o reforço da monitorização dos preços dos quartos. Em declarações ao PÚBLICO, José Machado considera que “a habitação é o principal obstáculo à permanência dos estudantes no ensino superior”, defendendo que a resposta estrutural passa pelo aumento da oferta de residências públicas, sem deixar de exigir medidas imediatas para proteger quem continua dependente do mercado privado.
Questionado sobre o tema, o ministro da Educação, Ciência e Inovação reconheceu que o alojamento permanece entre as principais preocupações dos estudantes. Fernando Alexandre destacou o reforço das camas em residências públicas e o novo modelo de apoios ao alojamento, sustentando que estas medidas procuram garantir que nenhum estudante deixa de frequentar o ensino superior por razões económicas. Ainda assim, admitiu que persistem desigualdades significativas no acesso ao ensino superior e afirmou que a possibilidade de reforçar os mecanismos destinados aos estudantes economicamente mais desfavorecidos continua a ser uma matéria em estudo.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Scott Blake.


