Lisboa continua a monopolizar grandes eventos e obras, incluindo aquelas de cooperação internacional. Em 2022, Carlos Moedas, presidente da Câmara Municipal de Lisboa, afirmou que a cidade possui “um potencial enorme para o investimento e que cuida dos seus investidores”. O Expresso destacou um estudo que ilustra que “Portugal é um dos países mais centralizados da OCDE”, com a Área Metropolitana de Lisboa a concentrar uma parcela significativa das compras públicas e das vendas ao Estado, evidenciando um desequilíbrio na distribuição de recursos pelo país.
Apesar de várias cidades no país terem potencial para acolher iniciativas relevantes, a capital recebe sistematicamente projetos deste género. Não é exceção a representação da Fiocruz em Portugal, um importante marco na cooperação luso-brasileira que será formalizado na próxima cimeira, segundo o Público.
A Fiocruz, considerada a maior instituição de saúde do Brasil, está a caminho de estabelecer dois espaços em Lisboa, um na Embaixada do Brasil e outro na Casa Brasil. Segundo Mário Moreira, presidente da fundação, os quadros na embaixada irão focar-se na diplomacia em saúde, enquanto a equipa na Casa Brasil trabalhará nas relações tecnológicas e industriais com os sistemas científico e tecnológico português e europeu.
FCT anuncia data para resultados do concurso de emprego científico
Os resultados do novo concurso de estímulo ao emprego científico da FCT serão divulgados em setembro de 2025, num contexto de incerteza sobre o financiamento e a estabilidade da investigação em Portugal.
Novo Laboratório Nanova permitirá alavancar a investigação em materiais avançados sustentáveis
O novo Laboratório de Nano Caracterização e Materiais Avançados (Nanova) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa,
Esta iniciativa dá seguimento a um acordo assinado em 2023 entre a fundação brasileira e o governo português. Contudo, o objetivo para a cimeira de 2025 é elevar este acordo a um nível governamental, abrangendo temas como cuidados primários, resiliência dos sistemas de saúde e vigilância epidemiológica. Além disso, há a possibilidade de cooperação na identificação de doenças genéticas em recém-nascidos, uma parceria que envolverá o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.
Adicionalmente, a cimeira luso-brasileira abordará outros acordos, como a mobilidade académica para facilitar deslocações de investigadores e a assistência mútua em matéria judicial. A preparação destes temas será realizada pela Comissão Permanente Brasil-Portugal, em reunião marcada para janeiro em Brasília. Sendo louvável a ampliação da cooperação entre os dois países, é inevitável questionar por que outras regiões não recebem a mesma atenção e investimentos que Lisboa. Afinal, a descentralização também é uma forma de progresso.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bruno Oliveira.


