A procura pelo ensino superior voltou a crescer de forma expressiva. A primeira fase do concurso nacional de acesso encerrou com 60.391 candidaturas, um aumento de 21,8% em relação ao ano passado, aproximando-se dos números registados durante os anos da pandemia, quando vigoravam regras excecionais para a conclusão do ensino secundário e para o ingresso nas instituições de ensino superior.
O crescimento assume particular relevância depois da quebra verificada em 2025. Na análise publicada pelo PÚBLICO, um dos fatores apontados para esta recuperação prende-se com a alteração das regras das provas de ingresso. Depois de, no concurso anterior, muitas instituições exigirem duas provas de ingresso, voltou a ser possível concorrer a diversos cursos apenas com um exame nacional. O próprio gabinete da secretária de Estado do Ensino Superior tinha concluído que a manutenção da exigência de uma única prova teria permitido a colocação de cerca de 2.800 estudantes adicionais no ano passado.
Nem o arranque atribulado do concurso impediu esta recuperação. Os problemas na classificação digital dos exames nacionais criaram um clima de incerteza que levou muitos candidatos a adiar a submissão da candidatura. Nos dois primeiros dias foram registadas apenas 2.722 candidaturas, um número muito inferior ao habitual. À medida que as classificações foram corrigidas e divulgadas, o ritmo intensificou-se e permitiu recuperar praticamente toda a diferença face ao ano anterior.
O processo decorreu ainda sob novas medidas destinadas a minimizar os efeitos dos erros ocorridos nos exames. Os estudantes que viram as suas classificações alteradas após pedidos de reapreciação puderam apresentar ou modificar a candidatura dentro do prazo legal, enquanto aqueles que mantiveram as mesmas opções não tiveram de realizar qualquer procedimento adicional. Paralelamente, o Ministério da Educação anunciou uma época especial de exames, permitindo que a melhor classificação obtida seja considerada para efeitos de acesso ao ensino superior.
Neste concurso estão disponíveis quase 57 mil vagas nas universidades e nos institutos politécnicos públicos. Os resultados da primeira fase serão conhecidos a 23 de agosto, seguindo-se o período de matrículas. A segunda fase decorrerá entre o final de agosto e setembro, encerrando um processo que, apesar das dificuldades técnicas verificadas ao longo do verão, confirma uma recuperação da procura pelo ensino superior em Portugal.
Os números agora conhecidos revelam também uma inversão da tendência registada no último concurso nacional. Depois de um ano marcado por uma redução acentuada de candidatos e por alterações nas regras de acesso, o sistema volta a aproximar-se dos níveis de procura observados antes da quebra de 2025. A evolução será agora acompanhada com atenção pelas instituições de ensino superior, que aguardam para perceber de que forma este aumento de candidatos se refletirá na ocupação das vagas e na distribuição dos estudantes pelas diferentes áreas de formação.
Luís Eduardo Nicolau
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Mikael Kristenson.
