Durante décadas, a Antárctida foi estudada sobretudo pela sua superfície branca e aparentemente homogénea, mas o que se encontra por baixo do gelo permaneceu em grande parte desconhecido. Um novo trabalho científico, divulgado no PÚBLICO, veio alterar esse cenário, ao apresentar o retrato mais completo até agora do relevo subglacial do continente, revelando uma geografia marcada por montanhas, vales profundos e extensas planícies que moldam silenciosamente o movimento do gelo.
O avanço resulta da combinação de dados de satélite com métodos inovadores de análise do escoamento glaciar, permitindo inferir a forma do terreno a partir da maneira como o gelo se deforma e se desloca à superfície. Esta abordagem tornou possível identificar milhares de estruturas de média dimensão que escapavam aos mapas anteriores, oferecendo uma imagem muito mais próxima da realidade física do continente gelado.
A terapia dos pássaros…para o bem-estar social
“Antonin teve um problema grave de saúde que lhe criou dificuldades na interacção social. Numa tentativa de o ajudar a regressar ao mundo e a reaprender a lidar com pessoas, os serviços sociais colocaram-no a trabalhar num centro de reabilitação de aves, em Genebra (Suíça). Lá, ele tem a orientação de Paul, que lhe vai ensinando a tratar dos animais, antes de se despedir do serviço e entrar na reforma. Sentindo-se tão frágil como aqueles que cuida, aos poucos Antonin vai recuperando a sua autoestima. Neste estranho lugar, pássaros feridos e almas perdidas coabitam, embalados pelo som omnipresente dos aviões”.
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Esta nova cartografia tem implicações diretas na forma como se estudam as alterações climáticas. O relevo sob o gelo condiciona a velocidade com que os glaciares avançam em direção ao mar e influencia a estabilidade das grandes massas de gelo. Conhecer com maior precisão essas estruturas permite melhorar os modelos que procuram antecipar a resposta da Antárctida ao aquecimento global e o seu contributo para a subida do nível médio dos oceanos.
Para além do impacto científico imediato, este mapeamento representa uma mudança de escala no conhecimento do continente. Pela primeira vez, a Antárctida deixa de ser vista apenas como um bloco uniforme de gelo e passa a ser entendida como um território complexo, cuja geografia escondida desempenha um papel central na dinâmica climática do planeta. Essa compreensão mais fina será determinante para orientar investigação futura e apoiar decisões informadas num contexto de crescente incerteza ambiental.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Dylan Shaw.
