Durante décadas, a Antárctida foi estudada sobretudo pela sua superfície branca e aparentemente homogénea, mas o que se encontra por baixo do gelo permaneceu em grande parte desconhecido. Um novo trabalho científico, divulgado no PÚBLICO, veio alterar esse cenário, ao apresentar o retrato mais completo até agora do relevo subglacial do continente, revelando uma geografia marcada por montanhas, vales profundos e extensas planícies que moldam silenciosamente o movimento do gelo.
O avanço resulta da combinação de dados de satélite com métodos inovadores de análise do escoamento glaciar, permitindo inferir a forma do terreno a partir da maneira como o gelo se deforma e se desloca à superfície. Esta abordagem tornou possível identificar milhares de estruturas de média dimensão que escapavam aos mapas anteriores, oferecendo uma imagem muito mais próxima da realidade física do continente gelado.
Março… mês da Floresta
“…um centímetro de solo pode levar milhares de anos para ser formado e este mesmo centímetro pode ser destruído em somente alguns minutos por uma degradação devido ao uso incorreto”.
É inovadora, prática e já tem mais de mil utilizadores
Num projeto pensado, em 2019, a ACADÉMICA DA MADEIRA criou uma aplicação que conjuga os seus serviços, os da Universidade da
Esta nova cartografia tem implicações diretas na forma como se estudam as alterações climáticas. O relevo sob o gelo condiciona a velocidade com que os glaciares avançam em direção ao mar e influencia a estabilidade das grandes massas de gelo. Conhecer com maior precisão essas estruturas permite melhorar os modelos que procuram antecipar a resposta da Antárctida ao aquecimento global e o seu contributo para a subida do nível médio dos oceanos.
Para além do impacto científico imediato, este mapeamento representa uma mudança de escala no conhecimento do continente. Pela primeira vez, a Antárctida deixa de ser vista apenas como um bloco uniforme de gelo e passa a ser entendida como um território complexo, cuja geografia escondida desempenha um papel central na dinâmica climática do planeta. Essa compreensão mais fina será determinante para orientar investigação futura e apoiar decisões informadas num contexto de crescente incerteza ambiental.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Dylan Shaw.