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DESAMORES EM PORTUGUÊS é o terceiro livro de Deodato Rodrigues

DESAMORES EM PORTUGUÊS é o terceiro livro de Deodato Rodrigues

O lançamento foi a 19 de novembro, às 18:00, no Teatro Municipal de Baltazar Dias.
Imagem promocional do terceiro livro de Deodato Rodrigues.

Uma trama ambientada ao crepúsculo do império colonial, com personagens que nos provocam a cada página. Chega ao público Desamores em português, o mais recente romance de Deodato Rodrigues.

O novo livro de Deodato Rodrigues, Desamores em português, desenrola-se nas cidades de Lisboa e de Lourenço Marques, atual Maputo, entre os anos cinquenta e oitenta do século XX. Com a Guerra Colonial em pano de fundo, são desenvolvidos temas como o imaginário colonial, o papel da mulher na família e na sociedade, a ambição, a pedofilia, a prostituição, as violações e os abusos sexuais. Como refere o autor: «Os sentimentos, as emoções, as atitudes e as decisões que moldam as experiências humanas constituem o âmago dos temas que me motivam. Isso é assim independentemente das latitudes, dos ambientes e dos espaços temporais».

Ao contrário das outras obras do autor, em Desamores em Português, a Madeira surge apenas como uma referência fugaz no desenvolvimento da narrativa. O autor explica o porquê: «Neste livro, eu quis escapar aos limites da região em que vivo. Mas, por ironia, quando a ação se desenvolve, sou confrontado com a passagem do navio “Príncipe Perfeito” pelo porto do Funchal. Estamos em 1964. O Almirante Américo Tomás, 13.º Presidente da República Portuguesa e último do Estado Novo, vem a bordo, numa viagem que o levará até Moçambique. Por cá, vai inaugurar o Aeroporto de Santa Catarina. Não tinha programado que assim seria. Mas, assim, tornou-se inevitável fazer embarcar, nesse momento, um madeirense que tinha acompanhado os pais no regresso ao Funchal e partia de novo para aquela ex-colónia portuguesa».
Para além de uma crónica de acontecimentos históricos e dramas pessoais, é um romance cheio de experiências de vida, como também de ambiguidades em torno das atitudes das personagens em relação à raça, à colonização e à mulher. O leitor é colocado num contexto dramático provocador de dúvidas e curiosidade sobre as tensões, ambições e indecências no seio da família Furtado.

O papel das personagens femininas permite também uma leitura crítica das suas personalidades complexas e subjugadas pelo homem paternalista e colonizador, alvo da sua violência psicológica e sexual.

O autor salienta que «há um esforço considerável para que cada um dos personagens em equação nas narrativas não corresponda a uma individualidade estereotipada e previsível, criada em torno de modismos e circunstâncias politicamente corretas. […] não pretendo que qualquer um desses personagens seja uma espécie de alter ego. Em nenhum deles me revejo».

A despeito da distância temporal da narrativa, cada leitor, à sua maneira, avaliará a atualidade ou não dessas problemáticas, refletindo sobre as suas implicações éticas.

Deodato Rodrigues é o autor de três romances — O INTENSO LABOR DOS TENTILHÕES (2023, editado pela CADMUS), ANTES QUE A CIDADE MORRA (2024, distinguido pelo júri do Prémio Literário Cidade do Funchal – Edmundo de Bettencourt com menção honrosa) e Desamores em português, que inicia a nova coleção que a CADMUS colocou no prelo e que irá contar com novas edições dos volumes precedentes.

A obra do autor caracteriza-se por uma atenção minuciosa à experiência humana e à complexidade das relações, sempre entrelaçada com uma narrativa cuidada e sensível.
Deodato Rodrigues cria personagens facilmente relacionáveis, que nos espelham em dilemas familiares, desafios que nos mudam a vida ou pequenas fragilidades humanas. Outras ainda mexem profundamente com o leitor, desafiando-o a confrontar-se com o lado mais obscuro da condição humana. Entre a empatia e o desconforto, apelam à reflexão e tornam cada história uma experiência intensa e imprevisível.

A trajetória profissional de Deodato Rodrigues é marcada por uma dedicação profunda à Educação e ao Desporto. Lecionou em todos os graus de ensino, tendo tido contacto direto com múltiplas gerações, e desempenhou funções de relevo na administração pública regional, incluindo Vogal do Conselho Diretivo do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira e Adjunto na Secretaria Regional de Educação. Para além disso, experimentou a gestão desportiva e o jornalismo, experiências que enriqueceram a sua visão do mundo e alimentaram a autenticidade e a diversidade temática das suas obras.

O percurso literário do autor reflete uma perseverança constante: cada livro é resultado de um processo iniciado, interrompido e retomado, mostrando a sua capacidade de dar continuidade a projetos criativos e de os consolidar com rigor. Desde o primeiro romance, procura envolver os leitores, valorizando não apenas a receção crítica, mas também a participação ativa do público na construção do seu universo narrativo.

Hoje escreve com a serenidade de quem percorreu uma trajetória completa e a energia de quem ainda tem muito por dizer. Mantém viva a convicção de que “escrever por gosto (também) não cansa” e afirma o compromisso de publicar, enquanto tiver anos para escrever, um livro por ano. A sua obra é marcada por uma busca contínua de sentido, pela exploração das nuances da vida quotidiana e pela tentativa de criar pontes entre experiências individuais e coletivas.
Com este terceiro romance, Deaodato reafirma a consistência de um projeto literário em crescimento e a atenção às pequenas grandes histórias que moldam a nossa existência, mostrando que, para ele, cada livro é tanto um ponto de chegada como um novo início.

Timóteo Ferreira
ET AL.
Com fotografia da capa composta por Pedro Pessoa.

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