O programa Erasmus+ é uma iniciativa da União Europeia que promove oportunidades de mobilidade e cooperação em educação, formação, juventude e desporto. Lançado em 2014, combina e substitui programas anteriores, como o Erasmus, Comenius, Leonardo da Vinci e outros, com o objetivo de simplificar a gestão e ampliar o alcance das suas ações. A ESN (Erasmus Student Network) é uma organização internacional sem fins lucrativos que apoia e representa estudantes internacionais, promovendo a mobilidade e a troca cultural entre jovens. Fundada em 1989, a ESN é hoje uma das maiores associações de estudantes da Europa, presente em mais de 40 países e com cerca de 500 secções locais. A ET AL. preparou um especial com artigos sobre a mobilidade europeia.
A XV ESNsurvey, realizada em 2024 pela ESN, destaca como as experiências internacionais antes do ensino superior são determinantes para o desenvolvimento de uma mentalidade global. Segundo o relatório, “51,11% dos participantes relataram alguma experiência internacional antes de ingressar no ensino superior”. Destas, as mais comuns foram viagens educacionais no ensino secundário (23,90%) e programas de verão ou línguas (15,60%). Esses números sublinham o papel das experiências curtas como preparatórias para intercâmbios futuros.
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“DE MOCHILA ÀS COSTAS” Situada no norte da Bélgica, Bruges foi considerada Capital Europeia da Cultura em 2002, e o seu
Outro ponto relevante abordado é o momento em que os estudantes decidem participar na mobilidade. Segundo o relatório, “43,62% dos estudantes optaram por estudar no estrangeiro antes de ingressar no ensino superior”, demonstrando que a decisão é muitas vezes antecipada e fruto de um planeamento consciente. Essa tendência é mais forte entre estudantes que participaram de programas de curta duração anteriormente.
A preparação também foi amplamente discutida no relatório da ESN, especialmente no que diz respeito ao suporte pré-partida. O estudo evidencia que “15,37% dos estudantes apontaram informações financeiras como o principal suporte desejado antes da partida”, seguidas por ajuda com o processo de candidatura (12,43%) e informações sobre cursos disponíveis (10,90%). Esses dados mostram a importância de um suporte administrativo e financeiro sólido.
Uma lacuna identificada é a falta de visibilidade sobre as oportunidades de mobilidade, como programas Erasmus alternativos. Por exemplo, iniciativas como o European University Alliances continuam pouco conhecidas. O relatório enfatiza que “há necessidade de melhorar a visibilidade destas iniciativas para aumentar a participação e diversificar as opções disponíveis”.
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No geral, o impacto positivo das experiências e preparações prévias é inegável. Contudo, o relatório sublinha que ainda há muito a ser feito para garantir que todos os estudantes tenham acesso a essas oportunidades, especialmente aqueles com menos recursos ou apoio familiar. O fortalecimento das informações e do apoio administrativo é essencial para uma mobilidade mais inclusiva e acessível. Assim, fica claro que as bases para uma mobilidade bem-sucedida começam muito antes da partida. Investir na preparação e garantir acesso igualitário às experiências internacionais são passos fundamentais para democratizar e enriquecer a vivência estudantil global.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Bozhin Karaivanov.


