Os estudantes do Instituto Politécnico do Porto (IPP) têm-se mobilizado contra o regresso de um professor despedido após acusações de assédio sexual. O retorno do docente gerou uma onda de indignação entre a comunidade estudantil, que considera a decisão desrespeitosa para as vítimas e para o ambiente académico. Os estudantes têm expressado as suas preocupações tanto nas redes sociais quanto em manifestações, exigindo respostas mais transparentes e uma posição mais firme do IPP.
A administração do IPP justificou a reintegração do professor com base em questões legais, afirmando que, sem uma condenação judicial definitiva, o docente não poderia ser afastado em caráter permanente. Segundo o IPP, o retorno obedece aos procedimentos normativos e visa garantir os direitos individuais do professor. No entanto, esta explicação não tem sido suficiente para aplacar a inquietação dos estudantes, que questionam a eficácia das políticas institucionais para assegurar um ambiente seguro e livre de assédio.
Casos de violência continuam a preocupar estudantes
Esta semana um estudante relatou que teve a sua viatura alvo de um ataque ao sair do Campus Universitário durante a noite. No verão de 2022, o Reitor da Universidade da Madeira referia ter “aumentado a insegurança nas imediações” do edifício da Penteada, facto que tem sido experimentado pela comunidade académica.
103 estudantes indicaram que foram vítima de assédio ou de violência na Universidade
Os resultados do INQUÉRITO ANUAL AOS ESTUDANTES DA UMa, edição de 2022-2023, foram divulgados pela ACADÉMICA DA MADEIRA. Os resultados indicam
A Federação Académica do Porto (FAP) manifestou-se solidária com os estudantes do IPP, sublinhando que a segurança e o bem-estar da comunidade académica devem estar acima de quaisquer formalidades legais. A FAP defende que as instituições de ensino superior devem adotar medidas mais rigorosas e eficazes para combater o assédio, prevenindo que situações semelhantes prejudiquem o ambiente académico. Para a federação, o regresso do docente coloca em causa a confiança dos estudantes nas políticas institucionais de proteção e reforça a urgência de regulamentações mais claras e eficazes.
Este caso lança luz sobre o desafio que muitas instituições de ensino enfrentam ao tentar equilibrar os direitos individuais e o dever de garantir um ambiente saudável e inclusivo. O desfecho desta situação pode não apenas definir a resposta do IPP, mas também estabelecer um precedente sobre como as instituições de ensino superior devem abordar as denúncias de assédio e proteger a integridade e bem-estar da comunidade académica.
Luís Eduardo Nicolau
Com Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Keagan Henman.