Procura de licenciados pelas empresas motiva desistências no mestrado em Engenharia Informática

Procura de licenciados pelas empresas motiva desistências no mestrado em Engenharia Informática

Este artigo tem mais de 1 ano

Karolina Baras é a diretora do mestrado em Engenharia Informática. Este curso de 2.º ciclo, a par do de Ensino de Educação Física, teve o maior número de graduados, vinte estudantes, na UMa, em 2020-2021.

Se a licenciatura em Engenharia Informática regista uma das maiores taxas de abandono e desistência da UMa, com 15% dos estudantes fora do curso após um ano de inscrição, o mestrado tem um registo 6,3%. Karolina Baras confessa ser “aceitável”, não tecendo comentários sobre os valores da licenciatura. A taxa de abandono e desistência não são o maior desafio do curso, segundo a diretora, colocando o principal desafio na captação de mais alunos que terminam o 1.º ciclo.

Entre o ano letivo 2011-2012 e o ano letivo 2020-2021, o Observatório de Emprego e Formação Profissional (OEFP) da UMa registou 412 diplomados na licenciatura em Engenharia Informática (LEI), uma média de 41 diplomados por ano. No ano letivo 2020-2021, estavam inscritos 297 estudantes na LEI. Entre os anos letivos 2011-2012 e 2020-2021, houve 176 diplomados no mestrado em Engenharia Informática (MEI). Foi, nesse intervalo, o segundo mestrado da UMa com mais diplomados.

No ano letivo 2020-2021, estavam inscritos 76 estudantes no MEI, registaram-se vinte diplomados nesse ano letivo. Dos diplomados nesse ano letivo, nenhum era do género feminino. Dos 21 mestrados da UMa, apenas outros dois cursos não registaram diplomados do género feminino em 2020-2021.

Segundo dados do Instituto de Emprego da Madeira, de 31 de dezembro de 2021 e publicados pelo OEFP, existia um diplomado do MEI registado como desempregado. Nos indicadores de empregabilidade a 5 anos, do OEFP, a LEI regista uma taxa de 88,7% (2016-2017 ~ 2020-2021), valor que atinge 98,7% no caso do MEI.

Considerando a grande diferença que existe entre os ingressos na LEI e no MEI, o que deve motivar um estudante a prosseguir os seus estudos de 2.º ciclo, em Informática, na UMa?

O primeiro ciclo em Engenharia Informática oferece uma formação geral em ciências e engenharia, juntamente com a aquisição de conhecimentos fundamentais na área de Informática. Com a conclusão desse grau, os alunos são capazes de participar no desenvolvimento, manutenção e operação de sistemas informáticos. No entanto, a conceção, criação e evolução desses sistemas exigem competências de conceptualização, avaliação e planeamento que geralmente são desenvolvidas no segundo ciclo. Optar por realizar um mestrado oferece aos alunos ferramentas conceptuais mais poderosas e conhecimento mais abrangente, capacitando-os para progredir mais rapidamente e com maior alcance nas suas carreiras profissionais.

Enquanto que a LEI regista, de acordo com o portal InfoCursos, mais de 15% dos estudantes fora do curso após um ano de inscrição (anos de referência são 2018-2019 ou 2019-2020), esse valor é de 6,3% no MEI. Como os fenómenos de abandono e desistência são interpretados pela Direção do Curso?

Tendo em conta o número de alunos que entram no curso, a percentagem parece-nos aceitável. A maioria dos estudantes que ingressam no mestrado já estão familiarizados com o ambiente da UMa, os colegas e os docentes, portanto, a transição do 1.º para o 2.º ciclo é feita naturalmente. As desistências que se verificam, maioritariamente ocorrem no segundo ano e têm muito a ver com a enorme procura de licenciados em engenharia informática por parte das empresas.

O MEI tem uma taxa de empregabilidade bastante elevada. A taxa de abandono e desistência é o maior desafio que o curso enfrenta?

O maior desafio do MEI é atrair mais alunos que terminam o 1.º ciclo e aqueles que já foram para o mercado de trabalho, mas ainda não fizeram o segundo ciclo. Os nossos principais parceiros nesta conquista são os empregadores, a Ordem dos Engenheiros e os antigos alunos.

De acordo com os dados da UMa, no atual ano letivo, o MEI possui 79 inscritos, com 28 alunos a elaborar a dissertação e 24 a terminar o trabalho de projeto. Para o futuro mestre, quais devem ser os critérios para optar por uma dissertação ou um trabalho de projeto?

Uma dissertação é mais ligada à investigação que envolve a elaboração de um documento de natureza científica. Um trabalho de projeto foca-se mais na integração e aplicação de conhecimentos adquiridos ao longo do curso com o objetivo de resolver um problema através do desenvolvimento de um sistema informático. Para um estudante que quer conhecer a área de investigação científica e eventualmente depois seguir para o doutoramento, a opção mais óbvia seria uma dissertação. Para um estudante que quer entrar logo na vida profissional, um projeto seria a opção mais adequada, até porque também pode ser desenvolvido no contexto empresarial.

A precariedade da condição de bolseiro de investigação é apontada como um dos maiores entraves para a continuação dos estudos no 3.º ciclo, em qualquer curso. O que deve servir de incentivo para o ingresso, após o mestrado, num doutoramento em Informática?

A existência de grupos de investigação constituídos por docentes, investigadores e alunos que promove a integração e o envolvimento dos alunos de 2º ciclo em projetos de investigação, além de uma motivação e vontade próprias, são os maiores incentivos para alguém continuar os seus estudos no 3º ciclo.

Sendo que a Informática é uma área em constante mudança, como o MEI se está a adaptar às necessidades atuais do mercado de trabalho?

Na recente mudança de plano de estudos foram constituídos dois grupos de três UCs por semestre que consideramos nucleares. Além dessas UCs, existe um conjunto variável e variado de UCs optativas, algumas das quais partilhadas com outros cursos de 2.º ciclo (Mestrado em Design de Media Interativos, Mestrado em Matemática, Estatística e Aplicações e Mestrado em Engenharia Eletrotécnica – Telecomunicações).

Entrevista conduzida por Luís Eduardo Nicolau.
ET AL.
Com fotografia de Chris Ried.