As novas tecnologias são, cada vez mais, fundamentais

No âmbito da Semana das Artes e Humanidades, foi realizada, no passado dia 13 de maio, a pré-apresentação do e-bookEstudos Regionais e Locais: 13 anos de Mestrado (2009- 2022)”, que celebra os 13 anos de criação desse Mestrado na Universidade da Madeira. Helena Rebelo (HR), Directora do Mestrado, e Lúcia Pestana (LP), Mestre em Estudos Regionais e Locais, foram, enquanto autoras, as responsáveis pela apresentação da obra e falaram-nos sobre a iniciativa e a importância desta área de estudo.

A ET AL. publica, aqui, a primeira parte da entrevista.

Como surgiu a ideia de criar um livro sobre o 2.º Ciclo em Estudos Regionais e Locais?

LP: A ideia surgiu dada a necessidade de compilar toda a informação relativa ao Mestrado num só documento. O convite para a elaboração do livro foi feito pela professora Helena Rebelo que achou por bem contar com duas visões sobre o curso: uma de docente e outra de discente.

HR: Sim, foi isso mesmo. Tendo ficado a dirigir o curso no início de 2019, pensei em algumas actividades que pudessem ajudar a dinamizar o Mestrado em Estudos Regionais e Locais. Foi organizado um seminário; houve umas jornadas; realizaram-se diversas conferências e nasceu a ideia de um livro. Progressivamente, o conteúdo a tratar foi-se alterando. A proposta que prevaleceu é a de um livro que pudesse fazer a síntese da história do curso, uma vez que iria fazer dez anos. Um livro que caracterizasse o curso para sabermos quantos estudantes teve, se houve paridade nos inscritos, o número total de formados, a totalidade de dissertações defendidas, os temas das investigações, etc.

Com os anos, perde-se a memória do que aconteceu e vai sendo feito. O livro pretendia fazer o registo do passado para sistematizar a proposta formativa. Na altura, estávamos já em 2020, a proposta foi evoluindo precisamente nesse sentido. Entretanto, foi sendo concretizada e tudo leva mais tempo do que o previsto, sobretudo pelos afazeres profissionais.

Numa conversa com a Lúcia, uma antiga orientanda, sabendo que ela tinha muito tempo livre, fiz-lhe a proposta de escrever o livro comigo: um desafio que, em boa hora, ela aceitou. Por incrível que pareça, desde a concepção da ideia até à sua concretização, passaram mais dois anos. Com a sobrecarga de trabalho, devido à pandemia por Covid-19, que multiplicou reuniões por Zoom e outras plataformas digitais, fomo-nos dando conta que era indispensável alterar o aniversário do curso. Já não eram 10 anos, mas 13!

O importante, mais ano, menos ano, é mesmo concretizar o trabalho e deixar o 2.º Ciclo em Estudos Regionais e Locais em livro, para memória futura. Por exemplo, recolhemos alguns cartazes de actividades desde 2018 e um pequeno número de fotografias, que nos servem de separadores ao longo do livro.

Por mais vontade que tivéssemos, aos eventos dos primeiros anos, já não tivemos acesso a eles. Por conseguinte, o livro pretende registar e guardar o material recolhido.

Qual a razão pela preferência do formato e-book para a obra?

LP: Na minha opinião, trata-se de um formato que permite, ao público interessado, ter um acesso mais fácil e prático a toda a informação sobre o mestrado. Uma vez compilado num só documento, em formato e-book, os potenciais mestrandos e o público em geral conseguem aceder facilmente ao conteúdo.

HR: No início, não pensei muito no formato do livro, até porque, para mim, um livro é essencialmente em papel. À partida, no surgimento da ideia, seria um livro com muito texto, incluiria artigos dos docentes e dos discentes. Entretanto, pelo evoluir das circunstâncias, a obra ganhou uma outra vertente. Uma vez que passou a ter uma dimensão, sobretudo, “radiográfica” por fazer, nomeadamente, o perfil dos estudantes do curso desde a primeira edição, a de 2009-2010, em gráficos, o livro em papel já não fazia tanto sentido. Então, propor o resultado em formato digital aos interessados no curso de 2.º Ciclo foi predominando e, agora, é a via que se vai seguir. Isso não invalida que não se possam imprimir alguns exemplares, numa edição limitada. Há sempre alguém com interesse em ler em papel.

Quem colaborou na realização desta obra?

HR: Eu própria e Lúcia Pestana somos as autoras, mas contamos com a colaboração de diversas pessoas, a quem muito agradecemos. Quando desponto a ideia do livro sobre o 2.º Ciclo em Estudos Regionais e Locais, ela foi apresentada ao Conselho de Curso, tanto no ano de 2020-2021, como ao presente, o de 2021-2022. Todos os membros consideraram válida a proposta e o Doutor António Almeida, enquanto representante dos docentes no Conselho de Curso, foi desafiado para redigir o posfácio.

Logo de início, também se deu a conhecer este projecto à presidência da Faculdade de Artes e Humanidades, à Doutora Ana Isabel Moniz, e à Coordenação do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas, ao Doutor Joaquim Pinheiro, que o acolheram, igualmente, muito bem. Entretanto, como houve mudanças, quer na coordenação, quer na presidência, o desafio de escrever uma nota introdutória ficou a cargo do Doutor Joaquim Pinheiro, actualmente, Presidente da Faculdade de Artes e Humanidades.

Uma vez que eu assumi a Coordenação do Departamento, e já sou autora, mantenho-me nesta qualidade. Temos também a colaborar na revisão do livro o Doutor Thierry Proença dos Santos, que foi um dos directores de curso. Agradecemos-lhe muito esta colaboração porque nos permite ter um outro olhar sobre o curso retratado no livro.

Quais considera terem sido os desafios à construção e prosseguimento deste, chamemos-lhe, testemunho?

LP: Quantificar os dados e fazer um apanhado de todas as actividades realizadas porque, ao longo dos anos, vão-se perdendo informações.

HR: Não imaginava que o desafio fosse tão grande. Quando percebi que o livro devia ser uma síntese reconstrutiva das 8 edições do curso, tendo de ir ao passado recuperar dados, tomei consciência que implicaria recolher informação segura e consistente de mais de uma década. Não foi nada fácil! Recorremos ao Registo de Alunos Inscritos e Diplomados do Ensino Superior (RAIDES), disponibilizado pela Direcção Geral de Estatísticas da Educação e Ciência.

A nível de estrutura, o livro subdivide-se em diversos pontos temáticos. Tem uma NOTA INTRODUTÓRIA da autoria do Doutor Joaquim Pinheiro e um PREFÁCIO a cargo das autoras. Num ponto 1, é feita uma BREVE INTRODUÇÃO AO CURSO, tendo grande parte da informação sido recolhida na página do curso, incluída na da Universidade da Madeira. Num ponto 2, intitulado a CRIAÇÃO DO MESTRADO, são introduzidos dois documentos essenciais (o DOCUMENTO LEGAL PARA A CRIAÇÃO DO MESTRADO e o REGULAMENTO ESPECÍFICO DO CURSO). Depois, num ponto seguinte, faz-se uma síntese esquemática dos DIRECTORES DE CURSOS e, aqui, agradece-se ao Doutor Nelson Veríssimo que nos facultou as datas precisas do seu mandato.

Num ponto seguinte, empreende-se um apanhado para DOCENTES E ÁREAS, procurando lembrar todos os professores que leccionaram no curso de formação avançada, desde 2009. Neste ponto, foi preciso um exercício de memória muito grande da minha parte porque sou docente desde a primeira edição. Uma vez que não houve a possibilidade de ter acesso a dados concretos, espero não ter esquecido ninguém, sobretudo quem, pelas mais diversas razões, deixou de colaborar na docência.

No ponto 5, procuramos esboçar o PERFIL DOS MESTRANDOS, quer POR EDIÇÃO, quer numa ANÁLISE GLOBAL. Sem dúvida que este ponto foi aquele que mais trabalho deu. É um desafio impressionante a sistematização destes elementos. Houve um grande trabalho da parte da Lúcia para a elaboração dos gráficos, a fim de conseguirmos analisar os dados do RAIDES. Quantificar é sempre um trabalho árduo e elaborar gráficos também. Contudo, são eles que nos permitem delinear o perfil dos mestrandos interessados no 2.º Ciclo em Estudos Regionais e Locais. Ao compreendê-lo melhor, quem dirige o curso pode incidir mais num tipo de público-alvo do que noutro. Este capítulo foi, para mim, o desafio maior, embora, desde o princípio, a concretização do livro em si mesma tenha sido motivo de resistência e resiliência. Deu e ainda dá muito trabalho escrever um livro, sobretudo quando retoma dados precisos como estes que são o passado e o presente deste mestrado. O desafio desse capítulo foi superado.

Continuando com a estrutura do livro. O ponto 6 decorre do anterior porque lista as INVESTIGAÇÕES E DISSERTAÇÕES que os estudantes defenderam publicamente para obter o grau de Mestre.

Por último, no ponto 7, intitulado CONSIDERAÇÕES FINAIS: DO PASSADO AO PRESENTE, a finalidade é interligar passado e presente, dando conta da fase em que se encontra o curso. Por exemplo, para ter estudantes internacionais, através do Mestrado em Estudos Regionais e Locais, está a consolidar-se uma parceria com a Universidade de Pádua (Itália) que envolve ainda outras instituições fora da Europa, isto é, uma universidade da África do Sul, uma no Burkina Faso e outro no Equador. A elas se juntam várias associações internacionais que têm um papel relevante no seio de comunidades regionais e locais. Três dos parceiros profissionais são a European Association for local Democracy (França/Itália), a Via Via Tourism Academy (Bélgica) e a Fundación Pachamama (Equador). É uma parceria internacional única porque, que se saiba, no mundo inteiro, não existe nada de semelhante. Trata-se da proposta formativa internacional Climate Change and Diversity – Sustainable Territorial Development (CCD-STeDe) que vai iniciar no próximo ano, mas para a qual a direcção do curso está a trabalhar desde 2019. Pronto, o livro serve mesmo para isto no ponto 7: sintetizar o que vai sendo feito, deixando um caminho traçado para o futuro, que se constrói no presente, em função do passado. O livro encerra com o POSFÁCIO do Doutor António Almeida que colabora no curso desde a primeira edição.

É preciso dizer que o Mestrado em Estudos Regionais e Locais é multidisciplinar e combina unidades curriculares de diversas áreas científicas, nomeadamente a Gestão com o Turismo, mas também a Geologia, a História, a Arte, a Literatura e a Linguística. Não é uma proposta formativa limitada a restrita, porque a temática dos Estudos Regionais e Locais é, em si mesma, central para as comunidades, cruzando amplos e diferenciados saberes e conhecimentos. Isso é um desafio para a Ciência. O livro também é um reflexo disso mesmo e foi um desafio juntar e sistematizar tanta informação, mas também ir à procura de dados que não estão facilmente disponíveis. Esta publicação poderá facilitar a compreensão do percurso que o curso foi fazendo, já que, com mais de uma década, é uma proposta formativa consolidada.

Que importância acreditam terem as novas tecnologias no acesso que os estudantes e o grande público têm à investigação?

LP: As novas tecnologias são, cada vez mais, fundamentais do ponto de vista da pesquisa e do acesso à informação.

HR: No século XXI, a vida de qualquer pessoa, mesmo dos mais idosos, envolve tecnologia. O que seria de um docente e um discente universitários sem computadores, telemóveis, tablets, Internet, páginas Web, Wifi e outros elementos semelhantes? Costumamos dizer que, hoje, está tudo no telemóvel, ou melhor, na Internet. Para mim, não é bem verdade. Quantas vezes, para a investigação que produzo, procuro informação na Internet e não encontro o que pretendo? Muitas! Além disso, há ali mais opinião do que informação.

Do meu ponto de vista, inclusive para a investigação, é preciso dosear o recurso às tecnologias, que tem vantagens e são boas, mas tem desvantagens e são péssimas. Entre a máquina e a pessoa, prefiro a pessoa, embora nem sempre seja o método mais fácil ou cómodo. O melhor de uma pessoa é ter capacidade de usar a cabeça para pensar e, por isso, o computador mais potente é o cérebro. Conciliar o pensamento com as tecnologias é, quanto a mim, o futuro, quer para os universitários, quer para o público em geral.

A investigação surge de uma ideia, uma hipótese, a comprovar, a testar, a analisar, e implica ferramentas diversas. As tecnologias, quando auxiliam no processo, são boas. Por exemplo, a Internet, o “e-mail” e os computadores possibilitaram a recolha de dados e o envio destes para conceber Estudos Regionais e Locais: 13 anos de Mestrado (2009- 2022). Vão permitir que o livro em formato “e-book” esteja acessível e seja um guia para os potenciais interessados neste 2.º Ciclo do Departamento de Línguas, Literaturas e Culturas da Faculdade de Artes e Humanidades. Portanto, para mim, que sou da área das Humanidades, primeiro, vêm as pessoas e, depois, as máquinas com tecnologia, inclusive para a investigação.

Entrevistas conduzidas por Luís Ferro
ET AL.
Com fotografia de Oscar Chevillard.

Nota dos editores: o título deste artigo é da responsabilidade do portal ET AL., sendo retirado de uma frase das entrevistas aqui reproduzidas. As entrevistas seguem a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

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