“O que pode a poesia para o conhecer e tornar mais justo?”

FÁBULAS, de João Cabral do Nascimento, é o n.º 11 da coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS, com a edição literária e o posfácio de Ana Salgueiro, além do prefácio de Catarina Claro. Trata-se, de acordo com a editora literária, do “último livro integralmente constituído por poemas inéditos de Cabral do Nascimento”.

Quem foi Cabral do Nascimento? Atualmente, o cronista, poeta e ficcionista madeirense está esquecido por tantos madeirenses, tal como a maioria dos autores que não integram o cânone imposto nos currículos das escolas. Não é, contudo, falta de trabalho de vários investigadores, como a responsável pela edição literária e investigadora colaboradora no CIERL-UMa, o Centro de Investigação em Estudos Regionais e Locais Universidade da Madeira. Esse centro de investigação tem sido um dos impulsionadores da produção contemporânea sobre Cabral do Nascimento, executando várias iniciativas, em diversos campos, para promoção e estudo do autor madeirense.

Em abril, Filipe Crawford, neto de Cabral do Nascimento, encenou e protagonizou o espetáculo Cabral do Nascimento – O Meu Avó, no Teatro Municipal de Baltazar Dias. Numa parceria com a Câmara Municipal do Funchal, a peça esteve no palco da Casa da Cultura madeirense durante dois dias. Em declarações à RTP, Filipe Crawford, referia que a encenação tentava “traçar a biografia do avó, do ponto de vista do afeto e da família”.

Como foi divulgado em nota da IMPRENSA ACADÉMICA, João Cabral do Nascimento nasceu a 22 de março de 1897, no Funchal, cidade onde fez os estudos liceais e onde iniciou o seu percurso literário, ao colaborar regularmente na imprensa periódica local. Na Madeira, foi um dos mais relevantes tradutores portugueses do séc. XX e um dos fundadores do Arquivo Distrital do Funchal. Um “inadjetivável” foi como o escritor Vasco Graça Moura citou, em 2003, a classificação que Fernando Pessoa terá atribuído ao madeirense.

Depois de publicar as obras de José Viale Moutinho, de João França, de Ricardo Nascimento, de Luzia, de Ciríaco de Brito Nóbrega, de João Augusto de Ornelas e de João dos Reis Gomes, o 8.º autor da coleção ILUSTRES (DES)CONHECIDOS é Cabral do Nascimento. A edição de FÁBULAS, como refere a chancela da ACADÉMICA DA MADEIRA, contou com o apoio da Câmara Municipal do Funchal, através dos apoios ao associativismo. Na segunda quinzena de maio estará disponível na Bertrand, tanto nas lojas como no seu portal de vendas eletrónico, na Fnac, na WOOK, na Gaudeamus e nas principais livrarias da região e do país.

A IMPRENSA ACADÉMICA refere que tem trabalhado a coleção com os “docentes das escolas, para permitir que os autores madeirenses integrem os currículos e, dessa forma, que os jovens tenham acesso a um conteúdo local e regional que, no passado, estava mais distante das salas de aulas. Sem descuidar a vertente comercial, para que as edições tenham viabilidade, a componente pedagógica é uma prioridade” para a editora.

De recordar que, em 2015, Ana Salgueiro e Paulo Miguel Rodrigues coordenaram e organizaram CABRAL DO NASCIMENTO. ESCREVER O MUNDO POR DETRÁS DE UM MONÓCULO E A PARTIR DE UM FAROL, um conjunto de estudos, da autoria de diversos investigadores, sobre o poeta madeirense.

Luís Eduardo Nicolau
ET AL.

Imagem do acervo da DRABM.

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