Centenário da 1.ª Grande Guerra

No próximo dia 28 de Julho terá feito 100 anos desde o início de um dos maiores conflitos na história do nosso planeta. Como a maior parte das guerras precedentes à Primeira Guerra Mundial, esta começou igualmente com um conflito europeu que cresceu em torno das ambições e medos das grandes potências do continente. O seu desenvolvimento arrasador não se deu apenas pelo seu tamanho colossal, pois a combinação tecnológica e a cultura daqueles que nela participaram foram de igual forma factores que impulsionaram os efeitos catastróficos que teve.

Apesar de ser apelidada de Primeira Guerra Mundial, é facto que não foi exactamente a primeira pois as potências europeias já se confrontavam nos últimos 300 anos por todos os territórios e oceanos do nosso planeta. Aqueles que arriscaram as suas vidas no conflito de 1914-18 chamavam-lhe, simplesmente, Grande Guerra. As potências europeias já se mantinham as mesmas há alguns séculos, mas o equilíbrio de poder entre elas mudou drasticamente durantes as últimas décadas. O Império Alemão, criado pelo reinado da Prússia, era o mais poderoso como resultado da sua vitória com o Império Austríaco em 1866 e com a França em 1870, ocupando esta agora o segundo lugar. As tensões entre os territórios europeus eram palpáveis e como se não bastasse, muitos travavam conflitos com países de outros continentes.

Em Portugal as coisas foram um pouco diferentes, pois o nosso país não entrou propriamente de forma activa na guerra. De acordo com as orientações da Primeira República Portuguesa o país juntou-se às forças Aliadas. Poucos meses após o culminar dos confrontos, começa-se a sentir os seus efeitos, nomeadamente a moeda de prata desapareceu de circulação, o preço das mercadorias subiu e fizeram-se também corridas às portas dos bancos para cancelar contas bancárias e passar a guardar as poupanças em casa.

O governo de Bernardino Machado tinha obrigações para com a Inglaterra devido à já longa aliança entre Portugal e os britânicos, mas ao mesmo tempo queria evitar-se um confronto aberto com as forças Alemãs. Utilizando, assim, a forte influência da Inglaterra, Bernardino consegue que as nossas forças militares sejam apenas deslocadas para Angola e Moçambique combatendo em território africano, resguardando-se das batalhas devastadoras tomando lugar na Europa. Estabelece-se, então, a sua posição na Primeira Guerra Mundial, sendo ela a de defesa das colónias contra os exércitos alemães.

A Madeira viveu de uma forma muito especial este momento pois, apesar de ser encontrar afastada dos principais palcos de guerra, este conflito afastou do porto do Funchal a navegação que constituía uma grande fonte de receita e encareceu a vida do povo ilhéu, tendo as autoridades competentes sentido a necessidade de limitar o valor máximo de alguns géneros de primeira necessidade. De salientar, ainda, os dois ataques que sofreu, em 3 de Dezembro de 1916 e em 12 de Dezembro de 1917, causando a destruição de edifícios, a morte de pessoas e o medo generalizado.

Um pouco por todo o mundo esta efeméride negra da História mundial será lembrada através de eventos vários, lançamentos de livros e de exposições sobre o conflito que durou 4 anos.

João Andrade

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