A espiritualidade

Perante o stress do trabalho, a falta de dinheiro e por vezes a doença, são cada vez mais as pessoas que procuram um refúgio espiritual na oração e na meditação. A Escola de Yoga do Funchal (EYF) é, além de uma escola, uma comunidade espiritual. A revista JA foi saber mais acerca da espiritualidade através da professora da EYF, Ana Isabel Freitas.

JA: A EYF é um projecto feito a pensar em quem? Quais são as suas mais-valias?
AIF: A Escola não pode existir sem alunos logo, ao criá-la, tive como objectivo transmitir os meus conhecimentos a outros para que possam desfrutar dos benefícios de “ser-se Yoguin” (praticante de Yoga). Os benefícios são imensos: o Yoga leva o praticante a encontrar-SE, a saber tratar de si e a viver uma vida mais harmoniosa e realizada.

JA: O Yoga é muitas vezes associado à actividade física, no entanto vai muito além disso. Em que consiste?
AIF:
O Yoga é uma filosofia e uma prática de vida, é também uma ciência, pois usamos metodologias e técnicas cientificamente desenvolvidas e com resultados comprovados. A própria ginástica saiu do Yoga.

JA: Pode explicar-nos que actividades são realizadas na Escola?
AIF:
Temos aulas práticas diárias em que se praticam várias técnicas: exercícios respiratórios, posturas psico-físicas, relaxamento, mantras, exercícios de purificação, de visualização e cromoterapia. Além das aulas, temos um calendário mensal que inclui: ritual de purificação pelo fogo (yagna), ritual de purificação pela água (abishekam), círculos de cura pelo OM, aula para Pais & Filhos/Bebés, orações da manhã e da tarde (mantras e bhajans), meditações. Fazemos também 2 retiros por ano e outras atividades no exterior, como Yoga na montanha ou a Saudação ao Sol Nascente.

JA: Um tipo de preconceito visível na sociedade é a religião. O Yoga, tendo como componente essencial a espiritualidade, rejeita crenças religiosas diferentes?
AIF
: O Yoga não é uma religião, é a ciência das religiões: preconiza uma visão espiritual da vida usando uma abordagem prática e científica. O Yoga acolhe qualquer religião que preconize os princípios éticos universais como a não-violência, a verdade. Uma pessoa judia, muçulmana, cristã ou taoista pode praticar Yoga sem nenhuma contradição.

JA: Ao longo da sua vida tem viajado pela Índia. Conte-nos a realidade que lá encontrou.
AIF:
A Índia para mim é ‘casa’, tem uma ‘carga’ espiritual magnífica. Existem diferenças culturais grandes, no entanto, o Yoga preconiza o respeito pelo outro e aceitação da diferença. A pobreza e a falta de recolha de lixo são problemas que um Yoguin reconhece mas que não ofusca o que a Índia tem de mais brilhante. As pessoas são pobres mas não são depressivas como aqui tendem a ser.. quem é mais pobre? É o que pergunto…

JA: Uma das implicações desta actividade é aprender a aceitar o que a vida nos traz. Ao longo da sua experiência tem lidado com alunos cujos problemas (doença, morte…) os tenham conduzido até à Escola?
AIF:
Os alunos vêm para a Escola quando têm problemas que não podem resolver sozinhos, quer tenham maior ou menor consciência disso. Na nossa ‘inconsciência’ sabemos muita coisa! O nosso eu superior sabe o que o ser necessita e aproxima-nos de pessoas, de lugares que estão de acordo com as nossas necessidades e energia.

JA: Como é que o Yoga os ajuda a ultrapassá-los?
AIF:
A pessoa torna-se mais consciente do que se passa consigo e à sua volta. Torna-se mais orientada e positiva, começa a conseguir resolver problemas em vez de acumulá-los, aumenta a capacidade de aceitação. Ter consciência e saber aceitar são grandes máximas do Yoga e condimentos essenciais para ser feliz. Para perceber é preciso experimentar, porque não marcar uma aula experimental gratuita? Fica aqui o convite.

Carolina Martins

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