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Universidades públicas precisam de uma voz mais forte nas políticas nacionais

Universidades públicas precisam de uma voz mais forte nas políticas nacionais

Um artigo de opinião, Rui Vieira de Castro defende que as universidades públicas devem reforçar a sua capacidade de intervenção coletiva para influenciar as políticas de ensino superior e ciência.

As universidades públicas portuguesas desempenham um papel central na produção de conhecimento, na formação de profissionais qualificados e na inovação científica, mas continuam a ter dificuldades em afirmar uma posição comum perante os grandes desafios nacionais. Num artigo de opinião publicado no PÚBLICO, Rui Vieira de Castro sustenta que a diversidade das instituições não deve impedir a construção de uma voz coletiva capaz de participar de forma mais ativa na definição das políticas públicas para o ensino superior.

O autor considera que Portugal dispõe de universidades sólidas, mas não de um sistema universitário suficientemente coeso. Na sua perspetiva, temas como a internacionalização, a investigação científica, a inovação, as carreiras docentes e de investigação, a aprendizagem ao longo da vida ou a atração de estudantes ultrapassam os interesses individuais de cada instituição e exigem uma estratégia concertada. O artigo sublinha que a existência de uma posição comum “não implica uniformização estratégica ou erosão da diversidade”.

Rui Vieira de Castro identifica o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas como a estrutura com legitimidade para assumir esse papel. No entanto, entende que existe um desfasamento entre as competências que lhe são atribuídas por lei e os recursos humanos e financeiros de que dispõe. Essa limitação, escreve, contribuiu para que o conselho assumisse, ao longo dos anos, uma atuação sobretudo reativa, em vez de liderar o debate estratégico sobre o futuro do ensino superior.

Na conclusão, o autor defende que o reforço institucional das universidades públicas deixou de ser apenas uma questão de governação académica. Perante a crescente complexidade das políticas de ciência e ensino superior, considera essencial que as universidades disponham de uma representação mais forte, tecnicamente preparada e capaz de dialogar com o Governo e o Parlamento. Para Rui Vieira de Castro, assegurar “uma voz qualificada, autónoma e estrategicamente informada das universidades públicas portuguesas” é hoje uma condição indispensável para contribuir para o desenvolvimento do país.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Oleg Laptev.

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