A Administração Trump decidiu eliminar a proposta que previa limites concretos ao consumo diário de álcool nas novas directrizes alimentares dos Estados Unidos, optando por uma formulação mais vaga que apenas recomenda beber menos para melhorar a saúde. De acordo com o PÚBLICO, a mudança afasta-se de orientações que vigoraram durante décadas e surge após um processo interno que chegou a defender uma redução mais ambiciosa, sustentada por evidência científica sobre os riscos associados ao álcool.
Segundo o mesmo jornal, documentos preliminares elaborados por técnicos de saúde federais alertavam que “o álcool é conhecido por causar cancro” e que a redução do consumo poderia “salvar milhares de vidas por ano”. Ainda assim, essas propostas não chegaram a ser publicadas, sendo substituídas por directrizes que evitam definir porções ou limites quantitativos, o que vários especialistas consideram um sinal preocupante de ambiguidade na política de saúde.
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O PÚBLICO refere também que esta decisão ocorreu num contexto de forte pressão da indústria das bebidas alcoólicas, que há anos acompanha de perto a revisão das directrizes alimentares. Especialistas em saúde pública citados pelo jornal alertam que a ausência de recomendações claras pode levar a interpretações mais permissivas do conceito de moderação e, em última instância, a um aumento do consumo e das doenças associadas ao álcool.
Apesar de o Departamento de Saúde dos EUA afirmar que as novas orientações se baseiam em ciência sólida, a controvérsia mantém-se. Como sublinha o PÚBLICO, o recuo nas recomendações contrasta com estudos recentes que indicam que mesmo um consumo reduzido pode aumentar o risco de vários tipos de cancro, deixando em aberto um debate que continuará a marcar a relação entre evidência científica, interesses económicos e políticas públicas de saúde.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Adam Wilson.
