No sábado, 1 de novembro, a equipa sénior masculina de futsal do Clube Desportivo ACADÉMICA DA MADEIRA entrou pela primeira vez em campo no Campeonato da Divisão de Honra Regional. O jogo, frente ao Sporting Clube da Madeira, decorreu no Pavilhão da Camacha. Mas antes de qualquer apito ou golo, houve um momento que marcou o arranque desta caminhada. Os jogadores entraram em campo com as capas negras do traje académico, símbolo maior da tradição estudantil e homenagem a memória de luta do movimento estudantil.
Em 1969, durante a final da Taça de Portugal, a Académica de Coimbra entrou no Estádio Nacional com as capas compridas sobre os ombros, em passo lento e em sinal de luto. A decisão foi tomada “num momento quente da greve a exames”, como explicou Alberto Martins, então presidente da Associação Académica de Coimbra, em declarações à TSF. A equipa aproveitou “a força social do futebol e imagética simbólica do futebol” para denunciar a repressão e a ausência de liberdade. A televisão não transmitiu o jogo, o estádio foi cercado pela polícia e, apesar da derrota frente ao Benfica, a partida ficou na memória coletiva como “uma Taça da liberdade, ganha por todos nós”, nas palavras de Alberto Martins.
Segundo Vítor Vasconcelos, Presidente da Direção do Clube, “ao repetir esse gesto no seu primeiro jogo oficial, o clube procurou lembrar que o desporto universitário é mais do que competição. É também pertença, responsabilidade e memória. Trazer a capa para dentro do pavilhão foi um modo de dizer que, também aqui, os estudantes jogam com a história às costas”. “Como há 56 anos, quando os estudantes cobriram os ombros dos jogadores da Académica, também agora o que importa é reforçar a ideia de comunidade, resistência e dignidade”, reforçou o dirigente.
No plano desportivo, o jogo terminou com uma vitória do Sporting Clube da Madeira por 4-1. Apesar da estreia do Clube Desportivo ACADÉMICA DA MADEIRA ter ficado marcada pela emoção e simbolismo, a equipa visitante impôs um ritmo competitivo que dificultou a tarefa dos universitários. O golo de honra da Académica não apagou o entusiasmo dos adeptos presentes, que reconheceram o significado do momento vivido no Pavilhão da Camacha.
Ricardo Freitas Bonifácio
Com Luís Eduardo Nicolau
ET AL.
Com fotografia da Associação de Futebol da Madeira.