Elevadores avariados causam transtornos na Universidade

A avaria de alguns elevadores no Campus Universitário da Penteada tem causado mal-estar na comunidade académica. Os dois equipamentos que fazem a ligação até ao piso -3, de utilização pública, estavam avariados até a semana passada. A Vice-Reitora, que tem a tutela dos Assuntos Académicos, continuava a aguardar a resolução do problema, na semana seguinte ao ter sido informada da avaria.
Jason Dent

A Vice-Reitora, Custódia Mercês Drumond, que tutela a área dos Assuntos Académicos, referiu que não tinha conhecimento da avaria dos equipamentos que permitem aos membros da comunidade académica, em especial os estudantes e funcionários com mobilidade reduzida, usufruir da cantina universitária. Este é, na óptica do Presidente da Direção da ACADÉMICA DA MADEIRA, Ricardo Freitas Bonifácio, o maior problema da avaria dos dois únicos elevadores que permitem o transporte até ao piso -3, que liga o edifício principal ao edifício que serve os almoços sociais.

Universidade da Madeira fez a reparação das placas do pavimento do pátio

Foram anos a reclamar por melhores condições no pátio exterior da Universidade da Madeira. Em abril, foram feitos novos trabalhos de recuperação no exterior do edifício, que faz a ligação com o Madeira Tecnopolo. A Universidade refere que “a substituição de placas naquele espaço tem ocorrido ao longo do tempo”.

Apesar dos alertas da comunidade académica, a Vice-Reitora, em declarações a 11 de abril, referiu que as situações de avaria deveriam ser comunicadas ao Gabinete de Controlo de Qualidade, através do Boletim de Melhoria, cujo formulário está na página da Universidade da Madeira (UMa). Apesar desta ferramenta ter sido criada há alguns anos, a dirigente académica indica que ainda é pouco utilizada. Na semana seguinte, Custódia Mercês Drumond, confrontada com a persistência do problema, referiu que reunirá com a Direção de Serviços das Infraestruturas e Equipamentos, acrescentando que o Conselho de Gestão autorizou, “há vários meses”, a reparação dos equipamentos, sendo que a “demora está na adjudicação do contrato de manutenção e reparação”, encontrando-se “em desenvolvimento” a sua formalização.

Para o líder estudantil, “a burocracia associada ao processo de reparação não pode ser justificação para que um equipamento fundamental para vários estudantes esteja, durante semanas ou meses, parado, impedindo que um estudante com mobilidade reduzida possa usufruir de todas as valências do campus”. Ricardo Freitas Bonifácio reclama que as verbas do orçamento da UMa também devem servir para a “reparação de equipamentos importantes no edifício principal como os elevadores, os pavimentos, a iluminação e outros aspectos que garantem o bem-estar da comunidade e a sua segurança”. Segundo o dirigente, a “ACADÉMICA DA MADEIRA, tem contribuído, de forma ativa, na aquisição de equipamentos como mobiliário para salas de aulas e outros equipamentos de apoios como as fontes de água do campus”, não escondendo que “cabe ao governo financiar, através do Orçamento da UMa, esses materiais, à reitoria operacionalizar a aplicação correta das verbas que recebe”.

Em janeiro de 2024, foi anunciado pela antiga Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, um contrato-programa de 15,8 milhões de euros. Como anunciado, o contrato representa um investimento de nove milhões de euros pelo Governo, de seis milhões de euros da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES) e de três milhões de euros da Fundação para a Ciência e Tecnologia. A governante havia referido que “se trata de um contrato-programa de desenvolvimento de sucesso pois vai permitir alavancar em mais 30% o orçamento da Universidade da Madeira em termos de receita de impostos, no valor de 17,2 milhões de euros”.

Em declarações no Colégio dos Jesuítas do Funchal, a ministra referiu que “a celebração do contrato em causa resulta, ainda, do reconhecimento de que a Universidade da Madeira carece de um apoio compensatório devido à sua situação insular e ultraperiférica, fator determinante para a existência de constrangimentos que afetam a sua organização e funcionamento, nomeadamente no que diz respeito a sobrecustos que não são passíveis de serem compensados com ganhos de escala, quando em comparação com outras instituições do ensino superior localizadas no território continental”.

Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Jason Dent.