São Paulo em vez dos Efésios podia ter pregado aos Nipónicos “Mulheres sujeitem-se aos vossos maridos, como ao Senhor”, pois parece que para os japoneses mulher inteligente não dá boa esposa.
Um dos países mais ricos e tecnologicamente desenvolvidos do mundo, o Japão enfrenta um grave problema demográfico. Entre outras tendências, maior parte dos jovens prefere o sexo virtual relacionar-se com uma parceira de carne e osso (e personalidade própria), como noticiou, já em 2013, a BBC News. Ontem, a agência Reuters publicou, uma notícia igualmente incrível que vem destacar a ambivalência do tecnologica e cientificamente muito avançado Império do Sol Nascente – as mulheres cientistas são vistas como más escolhas para casar.
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Mariko Katsumura autora do artigo Smart girls don’t marry? Japan rushes to erase stigma for women in science, indica que apenas 16% de mulheres são estudantes universitárias nas áreas de Engenharia, Manufatura e Construção, ocupando o último lugar entre os países mais ricos nessa comparação. De igual forma, apenas um em cada sete cientistas nas universidades nipónicas é mulher.
Dada a tendência da verificada na União Europeia das mulheres terem menor apreço pelo estudo destas áreas do que os homens, poderíamos até considerar o fenómeno natural. Mas a verdade é que as mulheres japonesas têm realmente interesse académico nestas áreas, ocupando a segunda pontuação mais alta em matemática e a terceira nas áreas científicas no sentido estrito do termo, em toda a OCDE.
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O problema é o resultado cultural, da escolha entre o coração e a carreira. Ao que parece, no país dos robôs ainda se acredita que é impossível uma engenheira ou uma cientista conciliar a vida profissional com a família e muitas mulheres decidem sacrificar a carreira por melhores hipóteses de virem a ter filhos.
Porém há uma crescente escassez de recursos humanos naquela que é a terceira maior economia tecnológica do mundo. O Japão necessita de empregar quase 800.000 trabalhadores tecnológicos e científicos até ao final desta década, correndo o risco de perder produtividade e competitividade, pela falta de inovação, incluindo em gigantes multinacionais como a Mitsubushi ou a Panasonic, que defendem o incentivo ao emprego científico para o sexo feminino.
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Numa luta contra o tempo, o governo de Tóquio apelou às universidades que incentivem à entrada de mais mulheres nos seus cursos científicos e tecnológicos, havendo um dúzia de instituições a responder positivamente ao desafio. Entre as medidas tomadas, já para 2024, o Instituto de Tecnologia de Tóquio irá impor cotas para mulheres nas suas turmas, o que é uma reviravolta no país em que, em 2018, como indicou Katsumura, certas faculdades de medicina chegaram a reduzir as notas de acesso para favorecer a admissão de homens em vez de mulheres.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Jase Bloor.
