Estamos conscientes sobre a nossa missão na sociedade

Conforme os Estatutos da Universidade da Madeira, a 6 de maio celebra-se o Dia da Universidade. O anfitrião da sessão, que decorreu no Colégio dos Jesuítas do Funchal, foi Sílvio Moreira Fernandes, Reitor da Universidade da Madeira. O portal ET AL. reproduz, aqui, a sua intervenção.

Começo por endereçar um particular agradecimento aos oradores que me precederam nesta cerimónia e, se me permitem, em especial ao Professor Duarte Freitas pela sua excelente Oração de Sapiência.

Agradeço igualmente aos agraciados com Distinção Alumni, pelo seu exemplo de vida profissional que muito nos orgulha e honra, desejando, em nome da Academia, muitas felicidades e a continuação de uma vida de sucesso.

Dirijo também uma fervorosa saudação à Tuna D’Elas, que comemora este ano os seus 25 anos de existência, desejando os maiores êxitos para a suas atividades.

É comum e conveniente afirmar-se, neste contexto, que o dia da Universidade é um dia de celebração da Academia, com tudo o que isso significa.

Significa, em primeiro lugar, que estamos conscientes sobre a nossa missão na sociedade e no seu sistema educativo, de acordo com as intenções que presidiram à decisão de criar a Universidade da Madeira.

Significa, outrossim, que chegámos a esta data comemorativa, depois de percorrido um longo processo de crescimento e amadurecimento, que é reconhecido por todos e que muito se deve ao trabalho dos que, em cada circunstância, participaram em todos os momentos da história da nossa Instituição.

Significa ainda que este dia de celebração deve constituir um dia de esperança e de projeção para o futuro da nossa Universidade, apesar de todas as dificuldades existentes, acreditando que não são insuperáveis e que é necessário lutar proativamente para a consecução dos objetivos programáticos que se encontram plasmados nos documentos fundadores, estatutários e estratégicos que nos orientam e determinam.

É, à luz deste entendimento, que considero ser importante este dia da Universidade para refletir sobre a situação presente e sobre os projetos que estruturarão o nosso futuro.

Lembro aqui a minha promessa de tematizar as intervenções nos dias da Universidade e de Abertura Solene do Ano Académico. Recordo ainda que, no ano passado, nesta mesma ocasião, desenvolvi o tema da “Academia”, repassando, analisando, indicando e estabelecendo as linhas-mestras do nosso programa de ação.

Seguindo naturalmente a promessa feita, proponho-me hoje completar o tema da “Academia”, com a visão estratégica atualizada, atendendo aos fatores que, entretanto, vieram, por um lado, condicionar parte importante do que era esperado realizar, e, por outro, abrir novas vias de resolução dos nossos atuais problemas.

Pretendo apresentar-vos um quadro percetível e tão claro quanto possível da política académica, matéria que então desenvolvi, e conjugá-lo com uma visão prospetiva, associando a política de desenvolvimento de áreas estratégicas que assentam sobre a base do nosso sistema educativo.

Quer isto dizer que a Universidade da Madeira tem a funcionar uma estrutura de ensino, investigação e serviço à Instituição e à sociedade, cuja base assenta nos seus ciclos de estudos, conferentes de grau ou diploma (cursos técnicos superiores profissionais, licenciaturas, mestrados, doutoramentos) e, adicionalmente, cursos breves, cursos pós-graduados especializados e de outra natureza. A atividade de investigação e serviço encontra-se intimamente associada a esta base e constitui, como referi na cerimónia solene de abertura do presente ano escolar, uma das funções mais importantes da Universidade, uma vez que marca, de forma indelével, a diferença entre uma instituição meramente orientada para o ensino e uma instituição que a esta componente acrescenta o valor da sua atividade em I&D. Este valor distingue qualitativamente a Instituição e os seus ciclos de estudos. Permite também aos estudantes a iniciação e progressiva inserção em ambientes de investigação.

Esta é, do ponto de vista do enquadramento jurídico do ensino superior e da práxis académica, a estrutura de funcionamento de uma universidade e a missão que lhe é conferida como serviço público e função educativa, científica, cultural e tecnológica.

No caso presente da Universidade da Madeira, a estrutura da oferta formativa apresenta a seguinte caracterização:

a) Cursos técnicos superiores profissionais (CTeSP). A UMa tem 16 destes cursos acreditados, dos quais 15 estão atualmente em funcionamento, com um total 532 estudantes inscritos. Existem três novos cursos em análise pela Direção Geral de Ensino Superior (Gestão do Alojamento; Ciências e Tecnologias do Mar e Atmosfera; e Promoção da Qualidade de Vida e Bem-Estar da Pessoa Idosa).

A propósito do financiamento e sustentabilidade desta vertente do nosso sistema politécnico que é estruturante para a Região e para o País, repito aqui o que escrevi no ano passado: “O projeto de desenvolvimento do ensino politécnico, na modalidade dos CTeSP, embora tenha sido uma aposta claramente ganha, com expressão nos múltiplos cursos que oferecemos e no significativo número de estudantes que têm entrado para o sistema, tem, no entanto, a desvantagem de ser um projeto que é constante e recorrentemente penoso de gerir do ponto de vista financeiro, por depender de candidaturas próprias à Direção Geral do Ensino Superior”. Acrescento que este cenário não se alterou, uma vez que, além de um remanescente de verbas relativas à edição de 2019-20, não foi ainda publicado o edital para a edição de 2020-21. É natural que uma décalage desta ordem entre o tempo de adiantamento de verbas e o respetivo pagamento pela DGES penaliza gravemente a UMa e a sua capacidade de gestão desta tão importante componente do seu projeto formativo, que, no caso em apreço representa cerca de 1M€.

Para obstar a este impasse e para tornar viável a formação neste nível, a UMa tomou a decisão de candidatar a edição do presente ano letivo dos seus CTESP a financiamento através do PO/Madeira, facto que quero aqui ressalvar, pela importância que se reveste para a UMa e para a Região.

Ainda neste âmbito, refira-se a exigência da A3ES no sentido de que a UMa tenha a área do ensino politécnico fisicamente autónoma do sistema universitário. A construção de um edifício próprio para este fim tem sido equacionada desde a avaliação institucional. A Universidade candidatou a financiamento o projeto de construção, no âmbito do PRR, tendo visto aprovada uma verba de cerca de 1.1M€, manifestamente insuficiente para a construção de uma nova infraestrutura. Ainda esta manhã mantivemos uma reunião com o Governo Regional, no sentido de encontrar uma solução integrada no Complexo da Penteada para a concretização deste projeto.

b) Licenciaturas (1.º ciclo). Temos em funcionamento 21 licenciaturas, com um total de 2 414 estudantes inscritos. A oferta formativa neste ciclo encontra-se estabilizada, esperando-se que, com o reforço da internacionalização, seja possível preencher mais vagas nos cursos menos procurados, e manter e consolidar os cursos com mais procura. Mantém-se, no entanto, a preocupação em dotar os nossos primeiros ciclos das condições necessárias para que continuem a ser a estrutura de base do nosso edifício educativo.

c) Mestrados (2.º ciclo). A UMa tem em funcionamento 21 mestrados, com um total de 423 estudantes inscritos. Existem três novos mestrados aprovados pela A3ES (Psicologia Clínica da Saúde e do Bem-Estar; Design; e Educação e Desenvolvimento Comunitário); e um mestrado, em Gestão, que se encontra em processo de conclusão de decisão pela A3ESyu.

d) Doutoramentos (3.º ciclo). São oito cursos de doutoramento em funcionamento, com um total de 77 estudantes inscritos.

e) Pós-graduações. Em parceria com o ISCTE, está em funcionamento uma pós-graduação na área da Gestão, com 24 estudantes; uma pós-licenciatura em Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica, com 23 estudantes; e aprovada uma nova pós-graduação em Gestão de Empresas Turísticas. Encontram-se ainda em preparação as pós-graduações já anteriormente previstas em Serviço Social, em Ciência Política, e em Vídeo e Animação de Autor, bem como, no âmbito do Projeto PRR, em Educação STEAM, em Envelhecimento Ativo e Promoção do Bem-Estar, e em Inovação e Empreendedorismo.

f) A outro nível, o Centro de Desenvolvimento Académico (CDA) é responsável pelo funcionamento de cursos breves. A Universidade oferece também, na Faculdade de Artes e Humanidades, curso de Português-Língua não Materna.

O total de estudantes inscritos nos ciclos de estudos conferentes de grau e diploma é de cerca de 3 500, aos quais se devem acrescentar os estudantes inscritos em outras modalidades de ensino: cursos breves, unidades curriculares singulares e em programas de mobilidade (eg. ERASMUS incoming, com 125 estudantes).

O total de estudantes, incluindo estas modalidades ascende a cerca de 3.900.

Queria, neste ponto, ressalvar que se dúvidas houvesse sobre a capacidade de a Universidade crescer, melhorar e expandir a sua oferta formativa, essas dúvidas não têm razão de ser. Efetivamente, no capítulo das novas formações, incluindo as que constam do projeto do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), que referirei infra, assinale-se as que foram já aprovadas pela Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior (A3ES) e as que estão em processo de acreditação. Nas condições que a Agência impõe para acreditação de novos ciclos ou para que alguns dos atuais melhorem o seu funcionamento, está, entre outras, o reforço do corpo docente.

Isolo aqui este tópico, uma vez que está associado à já longa luta para que a Universidade da Madeira tenha, como já foi reconhecido pela Assembleia da República, em 2019, o seu orçamento majorado, para compensar os sobrecustos devidos à sua situação insular e ultraperiférica. Lamento, em nome da Universidade da Madeira e em nome de todos quantos se associam a esta causa, que todo o trabalho realizado, desde então, pelas reitorias da Universidade da Madeira e da Universidade dos Açores, nomeadamente na elaboração dos estudos que competiam, em primeiro lugar ao Ministério da Tutela, e na apresentação de propostas concretas que colheram nas respetivas regiões autónomas, por parte dos seus órgãos representativos e pelos grupos parlamentares, aos quais foram apresentados os referidos estudos e a proposta de resolução do problema, e ademais todo o esforço realizado, para que fossem igualmente apresentados ao Ministro e à Assembleia da República, não tivesse colhido aceitação. Lamento igualmente que o prometido contrato-programa anunciado em fevereiro de 2020 para a Universidade dos Açores, no valor de 1.2M€, por ano, não tenha sido celebrado, facto que não permitiu idêntica solução para a Universidade da Madeira.

A falta deste meio indispensável tem vindo a afetar a capacidade de a Universidade da Madeira poder apoiar as suas áreas de suporte à atividade formativa e de investigação, do reforço dos recursos humanos, da modernização de equipamentos e da transformação digital (tivemos vários anos sem poder ter acesso aos fundos para a modernização administrativa e à internacionalização), e todos sabemos quão penoso e injusto é trabalhar em condições precárias no apoio as estas atividades.

A Senhora Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Professora Doutora Elvira Fortunato, instada anteontem na audição parlamentar da Assembleia da República, sobre a questão do subfinanciamento das Universidades da Madeira e dos Açores, reconheceu que era necessário encontrar um modelo mais justo de financiamento destas universidades. Espero que esta nova posição de abertura em relação a este problema venha a concretizar-se o mais brevemente possível.

Sabemos perfeitamente que as universidades não dependem apenas das dotações do Orçamento do Estado (OE). Dependem de outras fontes (receitas de propinas, de prestação de serviços, entre outras), mas é insofismável que as receitas provenientes do OE são a base da estrutura financeira das Instituições.

Insisto novamente neste tema, porque é fundamental não o deixar cair no esquecimento, quando está em causa a sustentabilidade da nossa Universidade, instrumento importantíssimo de desenvolvimento da Região.

Há pouco referi a qualidade dos projetos que os nossos colegas apresentam para aprovação pela A3ES. Quero aqui prestar uma homenagem a esses colegas que, muitas vezes com grandes sacrifícios, mas sempre considerando a causa maior da Universidade da Madeira, têm sido verdadeiros exemplos de dedicação ao saber, à ciência e à causa pública.

Merecem esta homenagem como merecem também que haja condições financeiras para progredir na carreira tanto ao nível da avaliação de desempenho como da efetivação do disposto no Decreto-Lei nº 112 de 14 de dezembro de 2021, que determina a abertura de vagas para as categorias de topo do ensino superior.

Merecem ainda uma justíssima homenagem os colegas que, durante o ano passado e até esta data passaram à situação de aposentação. Aos professores Manaz Khadem, Kurt Millner, João Prudente, Mikahil Benilov, e Pedro Telhado Pereira, apresento, em nome da Universidade da Madeira, um agradecimento especial pelo contributo de uma vida académica ao serviço do saber e do ensino. Desejo-vos muitas felicidades para esta nova fase da vossa vida, esperando que guardem uma memória positiva da nossa Instituição e de todos quantos convosco privaram nas atividades de cariz pedagógico, científico e de serviço à Universidade e à sociedade. Permita-me, Professor Pedro Telhado Pereira, antigo Reitor desta Universidade, que o saúde em nome de todos, na merecida homenagem que ora lhe presto e lhes prestamos. Muito obrigado pelo serviço à Universidade e à Região.

Quanto aos funcionários não docentes também passaram à situação de aposentação as colegas Ana Isabel Gomes Fernandes, Isabel Adelino Mendes, Maria Ângela Silva e Maria Gorete Camacho. Reafirmo os agradecimentos pelo vosso serviço à Instituição e votos de felicidades e sucessos para esta nova fase da vossa vida.

E não é sem emoção que chega o momento de rememorar aqueles que nos deixaram. Lembro, em particular a funcionária Maria da Conceição Gouveia, que foi exemplo de dedicação e de altruísmo e, mais recentemente, o Professor Marques da Silva, que fez parte do antigo ISAD e ainda participou na transição entre esta instituição e a sua integração na UMa, tendo formado e marcado positivamente muitas gerações de alunos, alguns dos quais são nossos docentes no atual Departamento de Arte de Design.

Fomos, hoje, surpreendidos pela notícia do falecimento do Padre Emanuel Eleutério de Ornelas, que foi, entre 1990 e 2003, nosso professor na área de Estudos Clássicos. Este acontecimento é particularmente penoso para mim, uma vez que privei profissionalmente com o professor Eleutério na área de estudos que é a minha, a quem devo o exemplo de dedicação e fascínio pelo saber e pela atividade pedagógica, e, acima de tudo, por termos cultivado uma grande amizade. A perda dos grandes amigos quase inviabiliza o uso das palavras mais adequadas para expressar o desgosto e a dor que nos atingem de uma forma tão cruel. A Universidade da Madeira muito deve à sua dedicação e entrega no processo de fundação e início de funcionamento dos nossos cursos. O Professor Eleutério deixa em todos nós uma enorme saudade e uma grata memória.

Cabe agora incidir a atenção sobre o tema que tenciono apresentar como estruturante para o desenvolvimento da Universidade da Madeira.
As Unidades Orgânicas, quer na vertente universitária quanto na politécnica, fazem parte de um programa que permite apoiar e pôr a funcionar projetos estratégicos que se revelem decisivos não só para o próprio desenvolvimento e missão da UMa, mas também para harmonizar a política universitária com a política de desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira.

Nesse sentido, gostaria de referir alguns dos projetos que, pela sua natureza, contribuem para reforçar o desenvolvimento da Universidade da Madeira. Tratarei, neste capítulo, dos projetos estratégicos de Medicina, Turismo, Mar, Formação de Professores e Escola Sénior.

1. Projeto de Medicina. Trata-se de um projeto, iniciado em 2004, através de um protocolo celebrado com a Universidade de Lisboa e com a sua Faculdade de Medicina, projeto que, mais recentemente sofreu uma evolução positiva, aquando da proposta e respetiva aprovação a extensão do Ciclo de Medicina 3º ano. Esta evolução para o funcionamento do ciclo básico só foi possível com o apoio do Governo Regional, através da Secretaria Regional da Saúde e Proteção Civil e do SESARAM, facto que, além do mais, permitirá a evolução do projeto, através da progressiva ligação ao novo Hospital Central e Universitário da Madeira, medida que aqui propus no ano passado e que, com especial agrado verifico ter sido adotada pela Região.

E permitam-me um aparte relativo a esta visão integradora da UMa na Região e na cidade que a acolhe como sede. Será conveniente que, com já disse e escrevi, a cidade do Funchal se assuma como uma cidade Universitária. No seu tecido urbano tem instalada a UMa, com os diversos centros pelos quais se estende a sua atividade: este edifício do Colégio dos Jesuítas, o campus da Penteada, a quinta de S. Roque e a Residência de Nossa Senhora das Vitórias, na Rua de S. Maria. Com os seus cerca de 3.900 estudantes, a Universidade tem uma expressão na vida urbana e cultural da cidade que merece uma atenção especial e, nesse sentido, uma promoção que potencie a vida da cidade sob a égide da marca de Cidade Universitária.

Retornando ao Projeto de Medicina, será desenvolvido todo um programa de investigação na área da medicina que deverá colher, espero, a participação dos médicos doutorados em medicina que exercem atividade na Região, dos colegas da UMa que investigam na área ou em áreas confinantes, entre as quais a já protocolizada área de estudos sobre o cancro, de modo a consolidar massa crítica suficiente para dar corpo a um centro de investigação, que seja reconhecido e financiado pela FCT-Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

Outro pilar para associar a estas vertentes pedagógica e científica é a da criação do futuro Centro Académico Clínico, cuja existência é crucial para o incremento e desenvolvimento do ciclo de estudos e de todo o projeto de Medicina com o futuro Hospital da Madeira.

2. Projeto do Turismo. O projeto teve início no primeiro mandato do Reitor José Carmo e hoje encontra-se em pleno funcionamento. Em sete anos, foi possível aprovar e pôr em funcionamento a licenciatura em Direção e Gestão Hoteleira, que já cumpriu, com êxito, um ciclo completo de estudos; um Mestrado em Gestão Hoteleira, em parceria com o Instituto Politécnico de Leiria, e em regime de B-learning, que se encontra no seu primeiro ano de funcionamento; quatro CTeSP e vários cursos breves para executivos. Noutras vertentes, o Projeto de Turismo tem em funcionamento na UMa um Polo de investigação (CITUR) e o Observatório de Turismo, que, desde a criação do Projeto de Turismo, realiza, entre outros, o trabalho de monitorização da satisfação dos turistas, num projeto em colaboração com a Secretaria do Turismo e Cultura, que no ano passado celebrou um contrato-programa com a UMa para financiar este tipo de ações.

Embora muito tenha sido feito no âmbito do projeto, que era crucial para a Madeira, uma vez que não fazia sentido não ter oferta formativa na Universidade destinada a esta área, para mais numa região turística por excelência, é, todavia, nosso entendimento que a Universidade da Madeira, uma vez atingida esta fase de desenvolvimento do Projeto, deve providenciar no sentido de o melhorar, incrementar e fazer alcançar um patamar que o qualifique como referência nacional e internacional.

Para a consecução desse intento considero ser necessário que venha a ser transformado e posteriormente enquadrado naquilo a que poderemos designar de Escola Internacional de Turismo, com a participação de um parceiro internacional especializado na área e com a respetiva colaboração com unidades hoteleiras na Região. Para integração na política da RAM sobre o Turismo deverá igualmente ser objeto de um protocolo específico a ser proposto à Secretaria Regional do Turismo e Cultura. A integração destas componentes contribuirá para alcançar a desejada excelência, nesta área. A Universidade da Madeira ganhará em agregar as competências existentes nos seus diversos departamentos e áreas científicas que, de algum modo, se especializaram ou têm interesses de investigação afins com a área de Turismo. Ganharão igualmente os seus parceiros e a Região. Trata-se, pois, de conferir à área os instrumentos que carece para que, na Madeira, possamos ser excelentes no Turismo que temos, na oferta formativa que disponibilizamos e na investigação que fazemos.

3. Projeto do Mar. Tem sido comummente aceite que Portugal e, em especial as suas Regiões Autónomas, tem no mar e na economia do mar um ativo deveras valioso para o desenvolvimento do País e para o reforço da sua posição geoestratégica no Mundo. Além disso, esta área de intervenção não se esgota nos recursos que dispõe, sendo, antes, uma área que se interliga a outras áreas como a da atmosfera e do clima.

O desenvolvimento das atividades de formação, em algumas unidades curriculares, em planos de estudos da UMa e em investigação científica, na área do Mar ou, mais especificamente das Ciências do Mar, remonta à primeira década de existência da nossa Instituição, tendo sido reforçada com a integração da Universidade no projeto do Centro de Biologia Marinha – Cais do Carvão, no âmbito de um protocolo com a Câmara Municipal do Funchal, que se encontra ainda em vigor. Mais recentemente e a par da continuação da atividade na UMa, tem havido um forte desenvolvimento em I&D nesta área por parte da ARDITI, tanto nos seus polos do IDL e do MARE, como no âmbito do Observatório Oceânico da Madeira. Atendendo ao interesse despertado por esta área, a UMa, a ARDITI, o Governo Regional e o CEMGFA, através do Comando Operacional da Madeira, celebraram o protocolo Sentinela do Atlântico para o desenvolvimento de tecnologias de vigilância e monitorização do espaço marítimo da RAM.

Foi nesta sequência que, na já aludida candidatura da UMa, como líder de um projeto financiado no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, em co-promoção com as Universidades do Algarve, Évora e Nova de Lisboa, o projeto apresentado, com o título Fostering Steam and Lifelong Learning @ South, tivesse o Mar como uma das suas áreas temáticas. Nesse sentido, foram propostos dois CTeSP, duas pós-graduações, três mestrados, dos quais dois profissionais. Além do CTeSP já referido nas áreas da Atmosfera e do Oceano, está a ser preparada uma proposta de Mestrado em Atmosfera, Oceano e Clima, que será lecionado em língua inglesa, com o propósito de suscitar também o interesse de estudantes internacionais. À parte esta oferta formativa que irá ser submetida para entrar em funcionamento ao longo do período de vigência do Projeto, a UMa, juntamente com a ARDITI, concorreu a três vagas no âmbito do concurso de emprego científico institucional financiado pela FCT, para as áreas de Atmosfera Oceano e Clima.

Este contexto favorável à colaboração especializada sobre o mar constitui uma rara oportunidade de a Universidade participar, de forma ativa e segura, numa área de grande importância para a nossa economia, promovendo e liderando a investigação e a formação necessárias para, à semelhança dos projetos estratégicos já mencionados, concorrer para uma posição de relevo na política científica e educativa sobre o mar e as alterações climáticas.

4. Projeto de Ensino/Formação. A Universidade da Madeira construiu parte fundamental da sua matriz, desde a sua fundação até ao início deste século, com base na formação de professores, embora não a tenha inteiramente abandonado ao longo da sua história, em particular nos cursos de Educação, tanto os que são ministrados pelo Departamento de Ciências da Educação, como os que estão afetos aos Departamentos de Educação Física e Desporto, e de Matemática.

Todos sabemos que já há algum tempo, o tema da formação de professores voltou ao debate público, devido à falta de professores em determinadas áreas/disciplinas dos ensino básico e secundário.

Referi, em anteriores intervenções que a Universidade da Madeira não está alheia ao apelo para que, na medida das suas possibilidades e recursos, possa contribuir para ajudar a colmatar as carências existentes ou a existir.

Nesse sentido, a intervenção da Universidade da Madeira, naturalmente em articulação com a Secretaria Regional da Educação, Ciência e Tecnologia, com qual já temos trabalhado neste assunto, deve, antes do mais partir do diagnóstico da situação e das soluções para a resolução deste problema. Seguir-se-á naturalmente a elaboração de um memorando de entendimento, eventualmente sob a forma de um contrato-programa, para a implementação de um projeto de natureza pedagógica, que poderá, se necessário, integrar a participação de outras instituições de ensino superior.

Este projeto poderá, numa primeira fase, incluir a organização de pós-graduações para que licenciados com créditos insuficientes para integrar o mestrado em ensino, em diversas áreas/disciplinas, os possam obter na área científica para a qual pretendam candidatar-se. Quer com a atual legislação, quer eventualmente com nova legislação, poderemos começar a preparar as condições para que haja candidatos suficientes para suprir as carências do sistema. Numa segunda fase, a Universidade da Madeira, individualmente ou em parceria, providenciará nas áreas pertinentes e contratualizadas, os respetivos mestrados em ensino.

5. Escola Sénior. Ao inscrever este projeto no Programa que apresentei ao Conselho Geral, fi-lo por saber e ter consciência de que, à semelhança dos projetos que acabei de enumerar encerra tópicos, também eles transversais e de natureza interdisciplinar e multidisciplinar, com capacidade para congregar a participação de muitas das áreas científicas que a UMa desenvolve nas suas Unidades Orgânicas. A Escola Sénior assume-se, na prática, como um projeto mais amplo de formação, investigação e serviço sobre o envelhecimento. Deste ponto de vista, deve constituir uma oportunidade de a Universidade dar resposta a um problema cada vez mais decisivo na nossa Região e, consequentemente, encontrar formas de agregar investigação de qualidade sobre esta matéria, investigação que já se realiza em várias vertentes, e em áreas tão diversas que vão desde as Artes e Humanidades e Ciências Sociais até à de Ciências Exatas, Ciências da Vida e da Saúde, como também no âmbito das atividades do CDA. Atendendo a este lato espetro de capacidade de investigação e de criação de massa crítica e, adicionalmente, ao desenvolvimento de parcerias com diversas secretarias regionais e com entidades estratégicas que poderão associar-se a este projeto, a Universidade irá por certo ter um instrumento privilegiado para nos ajudar a refletir, investigar e encontrar soluções para um dos fenómenos mais intrinsecamente caracterizadores do nosso tempo.

Juntamente com os projetos e as atividades de I&D que referenciei e desenvolvi na Cerimónia Solene de Abertura do ano Académico, estes projetos constituem a prova de que poderemos fazer mais. E para que se possa efetivar o que aqui foi apresentado, será necessário muito trabalho, uma forte especialização colaborativa, interna e externa, e a capacidade de encontrar os melhores meios para obter financiamento, quer através de contratos com os nossos parceiros privilegiados, quer mediante candidaturas a fundos comunitários, seja do PO/Madeira seja de outras fontes (Governo da República, União Europeia) ou ainda da nova política de apoio às Regiões Ultraperiféricas, recentemente anunciada pela Comissária Elisa Ferreira.

Por fim e não querendo penalizar-vos, subtraindo espaço ao pouco tempo de que todos dispomos nesta sociedade que padece da voragem do tempo que se esgota, queria apenas reafirmar o compromisso da equipa que lidero e da nossa Universidade em lutar firmemente para atingir os objetivos aqui discriminados. O seu êxito será, como soe dizer-se, o sucesso de todos nós.

Muito obrigado!

Sílvio Moreira Fernandes
Reitor da Universidade da Madeira

Nota dos editores: o título deste artigo é da responsabilidade do portal ET AL., sendo retirado de uma frase do discurso aqui reproduzido. O discurso segue a grafia anterior ao Acordo Ortográfico de 1990.

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