A igualdade de género diz respeito a homens e mulheres
Quando abordamos a temática da “Igualdade de Género” a definição correta dos conceitos é muito importante. Assim, quando falamos em sexo feminino ou masculino estamos a referirmos às diferenças determinadas biologicamente entre mulheres e homens, que são universais. Mas quando nos referimos ao género feminino ou ao género masculino, falamos do conjunto de qualidades e de comportamentos que as sociedades esperam das mulheres e dos homens e que formam a sua identidade social, uma identidade que difere duma cultura para outra em diferentes períodos da história. De acordo com a definição da Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres, Igualdade de Género “Significa que todos os seres humanos são livres de desenvolver as suas capacidades pessoais e de fazer opções, independentes dos papéis atribuídos a homens e mulheres e que os diversos comportamentos, aspirações e necessidades de mulheres e homens são igualmente considerados e valorizados. Assim sendo, quando falamos em Igualdade de Género falamos sobretudo em Igualdade de oportunidades entre meninas e meninos, rapazes e raparigas, homens e mulheres, de escolherem ser e fazer aquilo que quiserem independentemente do género a que pertencem. Liberdade de opções nas escolhas dos seus hobbies/ ocupação de tempos livres, dos seus desportos, formação e em termos profissionais. Os Estereótipos de Género, representações generalizadas e socialmente valorizadas, acerca do que os homens e as mulheres devem fazer, condicionam e restringem as escolhas de ambos os géneros. A eliminação de estereótipos, através da adoção de medidas específicas, como a integração da perspetiva de género nos diferentes domínios da política, na política de transportes, de horários de trabalho, do ambiente, da saúde e da educação e a integração de homens e mulheres nas equipas políticas e económicas é fundamental para a prossecução de um percurso de igualdade e sobretudo de oportunidades para todas e para todos. E como o caminho da Igualdade faz-se caminhando, todos os contributos são pequenos/grandes passos rumo à Igualdade… Mariana Bettencourt Coordenadora do Serviço de Igualdade de Género da SRIAS
Similarities in the Ocean of Differences
Funchal and my home city are so distant, however, what are their similarities? In this united Europe, what do our cities share in this Union of, so far, 28 countries? Funchal and Warsaw are both capital cities. At this point, I could end the list of similarities between both places. What comes to my mind are mostly differences. In terms of the number of citizens, area, architecture and landscape that surrounds both cities. But where I see the biggest difference is climate. In Warsaw and generally Poland, the weather is quite unpredictable. During summer days there might be an average of thirty-five degrees plus. On the other hand, sometimes in winter, the thermometer can show minus twenty-five degrees celsius. While Madeiran temperatures are more stable throughout the year. Secondly, I need to mention the pace of life. In my home city, everyone is running for something, always late and stressed. Here time slows down and people seem to be more relaxed. Maybe a high dose of vitamin D in their veins caused by the sun’s rays makes them happy. In my opinion, the common thread is in people, their beliefs, culture and values. In the past, shared European identity was deeply associated with Christianity. Nowadays most people in both countries still declare to be Roman Catholic and a lot of public holidays in Poland as well as in Portugal have a connection to religion. People, especially youngsters from European countries, are similar to each other. They listen to the same music, dress in the same clothes, eat similar food, and have common hobbies. It seems this is what we call globalisation. Katarzyna Janek Students’ Union Polish Volunteer
From the countryside in the middle of Poland to Funchal
At the first glance, it is hard to believe that my home and Funchal have anything in common. The place where I come from is located in the centre of Poland. It is a peaceful countryside town where days pass slowly. There is neither a river nor a lake. Unlike Funchal, which is surrounded by waves of the Atlantic Ocean. No doubt Funchal and the whole of Madeira have unbelievably varied and beautiful flora. Much more diversified than the flora in my countryside. Nevertheless, forests remind me of my countryside. Especially during the Levada walks, I have peace and relaxation. Another similarity is the hospitality of local people. Their kindness and willingness to help others bring to my mind my family and friends who wish me well. Both, the Portuguese and Polish respect and preserve their history, which is a part of their national identity and it constitutes a precious value for them. They, try to protect and maintain their national heritage by sharing historical knowledge among themselves and tourists. The idea of History Tellers is the best example of that. People from my countryside also take care of history. All these things above make Funchal and my home slightly similar. Magdalena Zawadzka Students’ Union Polish Volunteer
“Eu compro, logo valorizo-me”. O consumo e a sua representação social.
O presente artigo pretende fazer uma breve abordagem acerca da importância e do significado das representações psicológicas e sociais, que se encontram relacionadas com o conceito de consumo. Na sociedade actual, o consumo está associado não só às possibilidades de prazer instantâneo imediato, mas ao medo da exclusão social. As redes sociais, são um excelente exemplo, pois verifica-se que, através de um padrão de consumo, a maioria das pessoas procura reconhecimento público como um indicador do seu valor social. O indivíduo passou a existir na sociedade, com uma indissociável dimensão económica. A satisfação das necessidades básicas deixou de regular a oferta no mercado, impondo a necessidade de um marketing cada vez mais agressivo e competitivo. O comportamento do consumidor passa a ser uma atividade diretamente envolvida em obter, consumir e dispor de produtos e serviços, que inclui os processos de decisão que antecedem e sucedem estas acções. No entanto, as suas decisões não são tomadas de forma isolada, uma vez que é influenciado quer por fatores culturais, psicológicos, sociais, nomeadamente, por grupos de referência (aqueles a que um indivíduo pertence e interage como a família, ou os papéis desempenhados pelo homem e pela mulher na sociedade) quer por factores de natureza política, tecnológica, ambiental e económica. Por outro lado, e dada a enorme concorrência do mercado, a atenção das empresas está direccionada para o nível de satisfação do cliente, porque define uma resposta emocional ou cognitiva, baseada na experiência pessoal relativamente à aquisição de um determinado produto e/ou serviço (mediante a comparação das expectativas existentes antes e após a compra). Os factores emocionais e psicológicos (motivação, percepções, etc.) envolvidos nesse processo, diferem de um consumidor para o outro, porque depende da importância dada por cada um, às diferentes características e atributos dadas a um determinado produto/marca. Nesta perspectiva, a fidelidade é outro factor importante no comportamento pelo que o objectivo de uma empresa, é cumprir sempre o que foi prometido ao cliente, transmitindo uma imagem de confiança. A fidelização de clientes surge assim a partir do desenvolvimento de um plano de satisfação e encantamento, por gerar um sentimento de se ter encontrado o que se queria e desfrutar de algum momento efémero de felicidade. Como o valor do indivíduo é estabelecido em grande parte pelo seu poder de aquisição, surge a fantasia de que comprar equivale a valorizar a própria existência na sociedade. A aquisição de bens/produtos e/ou serviços, está assim directamente vinculada a aspectos simbólicos, uma vez que passam a ser concebidos, não apenas como objectos que proporcionam a satisfação de necessidades e desejos, mas como meios que possibilitam a atribuição de uma identidade pessoal, de um sentimento de pertença a um grupo e de reconhecimento social. Desta forma, o consumismo passou a ser considerado não só como um indicador de poder e prestígio, mas a principal matriz das relações sociais. Mas, até quando? Serviço de Defesa do Consumidor
SIDAdania: Todos fazemos parte
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA), desde a sua descoberta na década de 80, representa um dos maiores problemas de saúde. A população jovem adulta encontra-se frequentemente exposta a contextos multidesafiantes, podendo manifestar comportamentos de risco e consequentemente contrair uma Infeção Sexualmente Transmissível (IST). Quando os/as alunos/as ingressam no ensino superior demonstram mudanças comportamentais, tais como responsabilidades, autonomia financeira, poder na tomada de decisão, maior contato e oportunidade do uso do álcool, drogas e a prática de sexo inseguro e consequentemente tornam-se mais vulneráveis às IST’s/SIDA. Alguns dos comportamentos de risco são: múltiplos parceiros/as sexuais e/ou relações casuais; confiança excessiva nos/as parceiros/as; não usar preservativos (interno ou externo) e/ou métodos anticoncecionais ou usar preservativos de forma incorreta; manter relações sexuais sob o efeito de álcool e/ou drogas e relutância em procurar esclarecimentos, informação ou ajuda junto dos profissionais/ serviços de saúde. Face ao exposto, torna-se de extrema relevância convencer a população académica de que qualquer pessoa está sujeita à infeção pelo VIH/SIDA e outras Infeções Sexualmente Transmissíveis. Na Região Autónoma da Madeira, segundo o Relatório Infográfico do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM (2016), desde 1987 até ao 1.º semestre de 2016, o n.º de casos notificados por infeção VIH/SIDA entre os jovens (dos 15 aos 29 anos de idade) são cerca de 215 casos. Por estas razões, a Delegação Regional da Madeira da FPCCSIDA participou, por diversas vezes, na receção ao caloiro, com o objetivo de esclarecer, desmistificar e intervir dotando a população académica de informação/conhecimento para a promoção da saúde e a prevenção da doença. A Infeção por Vírus da Imunodeficiência Humana não discrimina ninguém pela sua etnia, idade ou estatuto social, pelo que a prevenção é da responsabilidade de todos/as nós – “SIDAdania, Tu Fazes Parte!” Jenny Vicente e Mafalda Abreu Equipa da Delegação Regional da Madeira da FPCCSIDA Referências: Secretaria Regional da Saúde através do Instituto de Administração da Saúde, IP-RAM. (2016). Relatório infográfico caraterização dos casos VIH/ SIDA notificados na RAM entre 1987 – 1.ºsemestre de 2016. Sales, W. B., Caveião, C., Visentin, A., Mocelin, D., Costa, P. M. & Simm, E. B. (2016). «Comportamento sexual de risco e conhecimento sobre IST/ SIDA em universitários da saúde». Revista de Enfermagem. 10.
EU in the Atlantic Ocean?
The following article will be about some of the major similarities Madeira has in common with the Mainland of the European Union, but also some of the most interesting differences for me, compared to my home town in Austria Starting with some of the things which appear very different in Austria. First off, the mentality the people have on this island is about 180 degrees turned from the one the people in my area have. There is a famous saying, “Schaffa, schaffa, Hüsle bua!” which means translated into English “Work and do not stop working until you can build a house and get a family”. In these past two months, I got the feeling that people on this Island keep things way more chilled than we do. On the other hand, in general, Madeira is also Europe/EU, which means we suffer from the same problems here and everywhere in the EU. For example in Austria these days a lot of the people move from being open to new things and new cultures, back to this stupid nationalist thinking. I also got the image of Madeira having the same kind of problem for example. But, I think this is not a bad thing because we are “together is this”, maybe this will help people realise that we are all the same, even if we might look a bit different, earn different amounts of money, believe in different things or have different interests. My name is Raphael Johler, I was born and raised in Austria. A week ago I turned 19 years, which sounds like a lot to me, but in the end, I am just a kid with a bird’s nest of hair on his head. Project co-financed by Erasmus+. Raphael Johler Students’ Union Austrian Volunteer
A importância de pensar o futuro e a carreira
Costumas pensar sobre o futuro e preparar-te para o mesmo? Costumas tomar decisões e assumir a responsabilidade pelas tuas ações? Costumas procurar oportunidades para te desenvolveres enquanto pessoa? Procuras dar o melhor no que fazes, adotando uma postura de resolução de problemas? Se respondeste maioritariamente “sim” a estas questões, preenches alguns dos requisitos chave que te ajudarão a adaptar a um mundo de trabalho, que requer atenção contínua e antecipação dos passos a dar, tal como se tratasse de um jogo de xadrez. Falamos, por isso, dos 4 c’s (em inglês) que constituem o que chamamos de adaptabilidade de carreira: Concern (preocupar-se acerca do percurso profissional), Control (assumir a responsabilidade pelo desenvolvimento da carreira), Curiosity (explorar novos cenários e os diferentes selfs possíveis) e Confidence (acreditar na sua capacidade para alcançar os objetivos). Se respondeste tendencialmente “não”, podes estar a ter mais dificuldade em adotar uma postura ativa na construção da tua carreira, nomeadamente, adiando e/ou evitando determinadas decisões. Tal poderá surgir pela incerteza sentida face ao futuro. No entanto, não podemos esquecer que, para além de incerto, o futuro pode guardar novas possibilidades e oportunidades, ou não tivesse a vida dois ou mais “lados”. Enquanto estudante do ensino superior, importa que penses a Universidade como um “laboratório”, onde que podes experimentar diferentes papéis/funções, um espaço único para te conheceres, desenvolveres competências e desenhares o teu projeto de vida, alinhado com os teus objetivos, valores e interesses. Perguntas como “Onde estou? Para onde vou? Porque vou? Como vou? Quando vou?” podem ser assustadoras, mas são fundamentais, de modo a direcionares os teus esforços, pois já lá diz a máxima “Quem não sabe o que procura não reconhece quando o encontra!” Importa salientar que todo este processo de construção requer comprometimento e proatividade da tua parte. Estudos indicam que indivíduos proativos, tendem a identificar mais oportunidades, a tomar as ações necessárias, mostram iniciativa e perseveram face aos obstáculos, estando a proatividade associada ao sucesso na procura de trabalho e na carreira. Talvez, por tudo isto, seja altura de te perguntares o que é para ti o futuro e como queres que ele seja. S empre existirão, no teu percurso, elementos sobre os quais não terás controlo. Porém, ao escolheres as tuas ações, escolhes também as tuas consequências, pelo que é uma escolha apostares ou não no desenvolvimento contínuo de competências, facilitadoras das transições da vida, de que é exemplo a transição entre a universidade e o mercado de trabalho. Explora mais sobre a temática em: Oliveira, F., Soares, L. & Lucas, C. V. (2016). Life and career behaviour: Some considerations about the need to assist college students to change their mindset and behaviours toward life constructions. RUMUS – Revista Científica da Universidade do Mindelo, 3(1), 109-122. Projecto co-financiado por Erasmus+ Juventude em Ação. Serviço de Consulta Psicológica da UMa
Differences and similarities between Germany and Madeira
My name is Anne, I am part of the voluntary project in Madeira. Therefore, I want to share my thoughts on the comparison between Germany and Madeira. Although, Madeira is on the border of Europe, close to Africa there are lots of similarities between Germany and Madeira. You can find some typical German food in supermarkets like Haribo or Nürnberger Würstchen. Most of the people are very nice, helpful and dressed like people in Germany. And last but not least we share the same currency, the Euro. However, there are also some differences. Due to the fact that the weather is much better than in Germany, the people are more tanned and different plants grow around the island. Therefore, there are some fruits in the supermarket that I have never seen before. For example, the mixture of banana and pineapple or tomato-maracujá fruit. But, not only the fruits are new to me, but there is also some typical Madeiran food like Bolo do Caco I tried for the first time. I really like the local cuisine, beverages, and fado concerts. Although, sometimes I also miss the culture of my home country. Especially, when it comes to tapping water, German bread and punctuality. Well, every culture has its benefits and drawbacks. It is good that we are all different, so we can learn from each other and improve one another. Nevertheless, in my opinion, it is important to accept new values in a new country and try to adapt to the culture. Anne Schroeder Students’ Union German Volunteer
As obras e providências de Oudinot para o Funchal em 1804
A Madeira foi alvo de fortes aluviões ao longo da história. O alcantilado da ilha, a localização da maioria das povoações na foz das ribeiras e microclimas específicos, levam a que estes desastres sejam cíclicos. O mais grave teria sido a 9 de outubro de 1803, provocando uma tragédia de mais de 600 mortos oficiais por toda a Ilha, numa população de 90.000 habitantes. O governo central enviou então o brigadeiro Reinaldo Oudinot, o técnico em Portugal com mais experiência em obras hidráulicas, que trabalhara na barra de Aveiro e, então, na do Porto. Prevalecia, num caso de emergência, o princípio do planeamento e do desenho, suscetível de estudo e de melhoramento nas várias instâncias, um tipo de resposta que só os engenheiros militares estavam aptos a realizar. A equipa do brigadeiro chegava ao Funchal a 19 de fevereiro de 1804 e formou um gabinete de trabalho, que foi uma escola de desenho topográfico e hidrográfico, projeto e direção de obras públicas. Reformulou as escalas, definiu princípios construtivos para as estradas e obras hidráulicas, nomeadamente de levadas para rega, etc. As operações comportaram a organização do estaleiro de obras e a direção dos trabalhos de reconstrução; numa intensa campanha de obras em que esteve envolvido o exército, nomeadamente os soldados e as populações. Em dezembro de 1806, depois de mais uma aluvião, o brigadeiro podia escrever para Lisboa, dando conta da forma positiva como se tinham portado as suas obras. Foi a última campanha de obras de Oudinot, que morreu no Funchal, a 11 de fevereiro de 1807. Os estudos e o pensamento sobre a ilha da Madeira por parte do brigadeiro, com as causas das aluviões e as medidas para prevenir esses desastres, ficaram sintetizados no Plano para o Reparo da Ilha da Madeira e Plano das obras e Providências necessárias para o reparo das ruínas causadas, Funchal, 14 de abril de 1804. O articulado serviu de regra ao longo da primeira metade do século XIX, ainda tendo sido distribuído, em 1837, pela câmara do Funchal às recém-instaladas Juntas de Paróquia do concelho, mas, entretanto, perdeu-se. O rigor das Instruções de 14 de abril, com as críticas que encerra, muito provavelmente levou ao seu desaparecimento na Ilha, apagando a memória das prudentes recomendações do brigadeiro Reinaldo Oudinot. Uma cópia, no entanto, foi recentemente localizada na Biblioteca Nacional de Portugal. A Madeira foi palco, em 20 de fevereiro de 2010, de uma aluvião, muito provavelmente com a intensidade da de 1803. Acresce que, a 8 de agosto de 2016, toda a ilha foi pasto de incêndios, o que já havia ocorrido em julho de 2012, não tendo havido assim tempo para a recuperação do coberto vegetal. Relembrar, reeditar, publicitar e distribuir o Plano das obras e Providências de Reinaldo Oudinot, de 14 de abril de 1804, é assim uma prioridade absoluta de cidadania e serviço público, em boa hora, levada a feito pela Imprensa Académica, com o apoio da Câmara Municipal do Funchal. Rui Carita Professora da UMa Na imagem: Danilo Matos, Raimundo Quintal, João Baptista e Rui Carita; autores de Um Olhar Sobre as Obras e Providências de Reinaldo Oudinot. A actualidade de uma proposta com mais de 200 anos, publicado pela IMPRENSA ACADÉMICA.
Os erros linguísticos e as feridas
Serão os erros linguísticos feridas? Quem se fere e dá conta procura fazer um curativo. Muitas vezes, a nível linguístico, quem erra e dá conta não resolve a situação, contaminando a comunidade. Nas línguas, são a matéria que estuda. As marcas diárias de desvalorização da língua materna são incontáveis. A nível individual, reiteram-se falhas, deturpações ou outros problemas, contagiando a comunidade. Durante meses, numa televisão, apareceu uma publicidade com a indicação “cabeleireiro unisexo”. Ninguém emendou para “unissexo”, memorizando-a a assistência. Aplica-se isso à designação do clube “Portosantense”. Os nomes próprios constituem casos particulares, mas devem seguir as orientações linguísticas existentes. Logo, se “s” está entre vogais, lê-se “z”, não sendo aí o caso. A publicidade dá uma informação irrelevante, embora o erro se registe em vários cabeleireiros. A questão do nome será mais alarmante porque quem o propôs para registo e quem o registou transgrediram um princípio elementar da Língua Portuguesa. Invalidaram a própria pronúncia do nome, já que “-s-” equivale a “z”. Evidentemente, vocábulos com origem estrangeira podem ter formas específicas a aprender. Na escrita, estes erros parecem ser pormenores. Todavia, ganham grandes dimensões. Os propositados correspondem a “feridas provocadas” (excisões, tatuagens, etc.). Os que resultam do desconhecimento são obstáculos à convivência, como as feridas alarmantes que provocam epidemias. Estudar a Linguagem é valorizar a língua da comunidade, evitando “feridas linguísticas” porque adquirem proporções preocupantes com reflexos impensáveis. Como será com “silhueta” e “cônjuge”? 1. Ela tem uma …………………….. muito delgada. Solução: Ela tem uma silhueta muito delgada. Explicação: O grafema português < lh> remontará ao século XIII, pronunciando-se como lateral palatal. No vocábulo “silhueta”, no entanto, não tem essa pronúncia. Porquê? Este substantivo usa-se para “desenho que representa um perfil pelos contornos da sombra” ou “contornos do corpo”. Os puristas consideram-no um galicismo, preferindo “perfil” ou “contorno”. No entanto, entrou no uso diário e no âmbito do Desenho. Conservou-se devido à etimologia (do Francês “silhouette”) que radica no antropónimo Étienne de Silhouette (1709-1767, político francês). Segundo o dicionário Houaiss, foi um ministro das Finanças que tentou reformas, mas mal preparadas. Ridicularizando-o, usaram “à la silhouette” para tudo o que tivesse semelhantes características. 2. Partilha com o …………………….. todas as responsabilidades familiares. Solução: Partilha com o cônjuge todas as responsabilidades familiares. Explicação: O substantivo masculino “cônjuge” designa “a mulher ou o homem com quem se casa”. Não é de uso quotidiano (também não o é o sinónimo “consorte”). Diversos serão os motivos e um deles pode ser a dificuldade de pronunciar duas vezes, em sílabas contíguas, a chiante sonora. Isso explicará o uso constante de “-gue” no final. Contudo, a etimologia (do Latim: “conjux,ugis”) justifica “-ge”. Helena Rebelo Professora da UMa