A atribuição do «Prix Goncourt 2025: Choix du Portugal» foi uma autêntica viagem literária encetada pelo estudante finalista da Licenciatura em Línguas e Relações Empresariais, Ivan Vasconcelos, e pela docente Maria Isabel Martins, professora de Língua Francesa na Universidade da Madeira (UMa). A jornada do dia 5 de junho de 2025 teve como ponto de partida aquela que é considerada por muitos como a “Pérola do Atlântico” e, como destino final, a magnífica Ambassade de France au Portugal (Embaixada de França em Portugal), em Lisboa.
A travessia atlântica protagonizada pelo estudante e pela professora, durante o final da manhã do referido dia, foi seguida de uma calorosa receção no Palácio de Santos, palco da terceira edição do «Prix Goncourt 2025: Choix du Portugal», que não deixaria ninguém indiferente. Foi pelas 14 horas e 30 minutos que os estudantes das oito universidades participantes (Universidades do Algarve, Aveiro, Coimbra, Lisboa, Madeira, Minho, Nova de Lisboa e Porto), com poder de voto na escolha literária francesa deste ano no nosso país, e os respetivos docentes que os acompanharam, viriam a encontrar-se e a reunir-se, propiciando-se o cenário idílico que viria a culminar numa tarde inesquecível.
Após dois dedos de conversa entre os estudantes universitários, maioritariamente provenientes das áreas científicas de Línguas Estrangeiras e Literatura Comparada, os respetivos professores, a Comissão Organizadora do Prix Goncourt e estagiários da Embaixada de França em Portugal, teve lugar uma série de atividades distintas.
Se, por um lado, aos distintos docentes universitários foi proporcionada uma reunião seguida de uma visita guiada às instalações da Embaixada, repletas de arte e história, por outro lado, os estudantes, em representação das oito universidades portuguesas, reuniram-se durante quase duas horas e trocaram impressões, opiniões, argumentos e análises literárias altamente enriquecedoras, fruto da leitura e do trabalho contínuo ao longo de todo o ano letivo de 2024-2025, em torno das quatro obras literárias francófonas a concurso: Madelaine avant l’aube, de Sandrine Collette (JC Lattès), Houris, de Kamel Daoud (Gallimard), Jacaranda, de Gaël Faye (Grasset) e Archipels, de Hélène Gaudy (L’Olivier).
Acompanhados sempre pelo Presidente da Académie Goncourt, o escritor e cineasta francês Philippe Claudel, pelo Dr. Guillaume Boccara e pelos prestáveis e simpatiquíssimos jovens estagiários da Embaixada de França, o ponto alto da tarde consubstanciou-se no magnífico Salão de Música do Palácio de Santos, que acolheu a cerimónia, com a presença da Excelentíssima Senhora Embaixadora Hélène Farnaud-Defromont, Embaixadora Extraordinária e Plenipotenciária da República Francesa junto da República Portuguesa.
Aí, não só foram lidos, com muita emoção e sentido literário, os quatro «Argumentaires» referentes a cada um dos romances a concurso, o que resultou na vitória da estudante em representação da Universidade de Aveiro, como também foi anunciado o romance vencedor pelo escritor Philippe Claudel.
Na presença de todos os estudantes universitários responsáveis pela decisão, respetivos docentes e demais figuras ilustres da Embaixada de França em Portugal, da Académie Goncourt e do Institut Français du Portugal, Jacaranda, de Gaël Faye (Grasset), foi eleito o romance vencedor da terceira edição do concurso realizado em Portugal. Trata-se de um livro emotivo, sensível e crítico das atitudes desenfreadas do Homem que, ainda na atualidade, veem espelhadas as suas nefastas consequências. A criação literária brilhante de um ambicioso e talentoso escritor, músico e rapper, filho de pais franco-ruandeses que, inspirado na história de vida da sua avó e no desastre conhecido como “Genocídio do Ruanda”, expõe a nu traumas e mágoas, mas também esperança e sonhos ainda por almejar, de toda uma geração marcada por este episódio negro da história desse país africano de onde o próprio autor teve de sair aos 13 anos rumo a França, país que considera atualmente o seu lar.
A «soirée» terminou com um requintado cocktail, acompanhado de um proveitoso convívio entre todos os convidados, ao som de música eletrónica ao vivo, nos mágicos jardins da Embaixada, com uma vista fenomenal para o encantador e emblemático rio Tejo.
Por fim, é imprescindível agradecer a colaboração, a simpatia e o afinco notórios da Professora Doutora Ana Isabel Moniz, também Presidente do Conselho de Cultura da UMa, que estabeleceu uma relação estreita e valiosa entre a Universidade da Madeira e todos os responsáveis pelo «Prix Goncourt 2025: Choix du Portugal»: Académie Goncourt – França; APEF – Associação Portuguesa de Estudos Franceses; AUF – Agence universitaire de la Francophonie e Instituto Francês de Portugal – e a dedicação, o esforço e a experiência incomparáveis da Professora Maria Isabel Martins, docente de Língua Francesa, níveis A1.1 e A1.2 da UMa, que, muito destemida e prontamente, se predispôs a seguir, de perto, não só durante o segundo semestre, mas também durante a representação da UMa junto da Embaixada, todos os passos do estudante madeirense ao longo deste bonito e inesquecível percurso, e o orientou tão prodigiosamente a nível da leitura e análise literária das obras em língua francesa.
Só graças a ambas as professoras, assim como à Universidade da Madeira e à APEF – Associação Portuguesa de Estudos Franceses, que apoiaram esta aventura desde o primeiro instante, a quem dirijo um carinhoso, sentido e especial obrigado, foi possível empreender esta viagem literária e de vida, inesquecível para o estudante que pôde viver o seu «Baptême de l’Air» (Batismo de Voo), uma experiência que, certamente, jamais esquecerá e que, indubitavelmente, moldou e continuará a moldar o seu percurso, não só a nível académico, mas também, e sobretudo, a nível pessoal e humano.
O meu muito obrigado!
Ivan Alexandre Neves Vasconcelos
Finalista da Licenciatura em Línguas e Relações Empresariais
Com fotografia de Clark Young.