Reitor destaca o ensino de Medicina: “Passaram mais de cem anos para voltarmos a ter o curso de Medicina na Madeira”

Reitor destaca o ensino de Medicina: “Passaram mais de cem anos para voltarmos a ter o curso de Medicina na Madeira”

Os estudantes de Medicina da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade da Madeira assinalaram, com os professores, os amigos e os familiares, a cerimónia que marca a entrada no ciclo clínico do curso.
A Cerimónia da Bata Branca marca a transição para o ciclo clínico do curso de Medicina. No Colégio dos Jesuítas do Funchal, a 8 de junho de 2024, os estudantes de Medicina da UMa celebraram o final do seu ciclo básico.

O Colégio dos Jesuítas do Funchal recebeu, a 8 de junho, centenas de pessoas para assinalar o final do ciclo básico do curso de Medicina. A Cerimónia da Bata Branca ainda é desconhecida do grande público, mas tem sido uma tradição americana, incorporada por várias Universidades portuguesas. O evento marca a transição entre os anos pré-clínicos para o ciclo de estudos dedicados ao estudo das ciências da saúde em ambiente, maioritariamente, clínico.

“Passaram mais de cem anos para voltarmos a ter o curso de Medicina na Madeira”, referiu Sílvio Fernandes, reitor da Universidade da Madeira (UMa), durante a sua intervenção na cerimónia. Ao pensarmos que o ensino da Medicina na Madeira começou no século XXI, com o início do curso na UMa, esquecemos da História desta área do conhecimento na região. Conforme explica o historiador Timóteo Ferreira, na sua tese de doutoramento, a Escola Médico-Cirúrgica do Funchal foi criada em 1837 e extinta em 1910. A instituição, na Madeira, “foi um lugar de transmissão e de aquisição de conhecimentos e de práticas, em espaços próprios, conhecimentos e práticas”, como explica o investigador.

Há 20 anos, o espírito em Medicina passava por: “se fossemos para Lisboa, sempre saíamos deste «buraco»”. Tudo mudou.

Em outubro de 2004, começavam as aulas de Medicina na Madeira e nem todos estavam felizes com o novo curso. Vinte anos depois, e mais de meio milhar de estudantes formados, o espírito é de orgulho, de felicidade e de união. Medicina na UMa como um centro de referência nacional é o objetivo do reitor, destacando que “tem lutado imenso como madeirense”, desde a fundação da UMa para que “ganhe dimensão, que seja qualitativamente reconhecida como tal e que seja considerada um exemplo”.

O investigador alerta que, ainda que a Escola Médico-Cirúrgica do Funchal fosse uma realidade a partir da década de 40 do séc. XIX, a sua configuração não pode ser comparada com o que existia na Universidade de Coimbra, pois “nunca esteve em causa instituir na Madeira uma formação médico-cirúrgica e farmacêutica do mesmo nível das congéneres de Lisboa e Porto”. É, no entanto, pouco conhecido do público madeirense a existência desta instituição na região.

Criado em 2004, o curso de Medicina na UMa arrancou com os dois primeiros anos. Vinte anos depois, com o 3.º ano em funcionamento, o curso prepara-se para expansão com a entrada do 4.º e do 5.º ano médico, numa realidade que o novo Hospital Universitário trará em pouco tempo. A vontade deste alargamento é partilhada pelos docentes e pelos estudantes, além da Universidade e do Governo da região.

No Pátio dos Estudantes do Colégio dos Jesuítas, o testemunho dos estudantes que irão transitar para os anos clínicos em Lisboa foi de reconhecimento das valências que o curso de Medicina tem na Madeira. Para Francisco Freitas “os últimos três anos em Medicina foram incríveis”, sendo uma “experiência muito enriquecedora”, superando todas as expectativas que possuía antes do início do curso.

Finalistas do curso de ciclo básico de Medicina da Universidade da Madeira no Colégio dos Jesuítas do Funchal a 8 de junho de 2024

Tiago Caldeira Alves, da ACADÉMICA DA MADEIRA, destacou a importância de preservação da cerimónia enquanto parte da cultura académica, sendo que estes “eventos são muito importantes para manter a tradição académica na Universidade da Madeira e ajudam na inclusão, pois permitem a participação de todos os estudantes”.

Para Catarina Calaça, não restam dúvidas de que “foram três anos muitos especiais […] arrisco-me a dizer que foram dos melhores três anos que tive na minha vida”. A jovem madeirense destaca o ambiente com os colegas, assegurando que “tomou a melhor decisão” ao optar por estudar na região. Confessa que as suas expetativas foram melhores do que esperava no início.

Sobre o futuro, Catarina Calaça entende que serão “anos muito difíceis”, mas destaca o suporte que o núcleo criado na Madeira irá desempenhar. Com o mesmo espírito, o estudante João Rodrigo Costa destacou que “tivemos uma grande oportunidade de formar um grupo unido”, que entende irá “facilitar a vida” nos próximos anos que os estudantes estiverem em Lisboa. O estudante realça “o facto de termos passado aqui três anos e terem sido três anos muito desafiantes, com um estudo muito intenso, com momentos muito stressantes, mas foram três anos que nos ensinaram para a vida”.

Memorandum

Os fragmenta e os testimonia permitem-nos perceber que Herófilo merece um lugar especial na História da Medicina, pelo conhecimento que desenvolveu em várias áreas, da Anatomia à Obstetrícia. Herófilo de

Segundo o investigador Philip Russell, a Cerimónia da Bata Branca foi criada em 1989, na Pritzker School of Medicine da Universidade de Chicago, tendo, em 1993, estabelecido a sua configuração completa na centenária Vagelos College of Physicians and Surgeons da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. O investigador da Hahnemann School of Medicine, de Pennsylvania, refere que há mais de cem escolas de Medicina norte-americanas que realizam a Cerimónia da Bata Branca.

Algumas imagens da Cerimónia da Bata Branca podem ser consultadas na conta da ACADÉMICA DA MADEIRA.

Luís Eduardo Nicolau
ET AL.
Com fotografia de Henrique Santos.