Os pais dos estudantes podem solicitar as suas avaliações à UMa?

Os estudantes da Universidade da Madeira são, na generalidade, maiores de idade, pelo que nada poderá ser feito sem a sua autorização. Contudo, existem situações pontuais em que a UMa permite aos pais participar da vida académica dos seus filhos.

A autora Isabel Stilwell mantém, com a filha, o podcast “Birras da Mãe” na página do Público. No dia 30 de novembro o assunto abordado foi o da interferência dos pais na vida dos filhos, incluindo durante a formação universitária. Chama-lhes “pais helicóptero”, um conceito criado em 1969, pelo psicólogo israelita Haim Ginott, que define aqueles pais que “voam” em torno dos filhos, controlando-os e não os deixando crescer.

Em 10 de novembro passado, o Expresso publicou uma reportagem que afirmava que estes comportamentos já haviam chegado às universidades portuguesas. Diretores de curso afirmaram terem sido abordados por pais sobre o bem-estar dos seus filhos, funcionários administrativos indicaram a presença de pais a ajudar os filhos a fazer a matrícula ou a solicitar informações sobre as suas avaliações. Os professores universitários testemunharam ao semanário que as suas aulas, por vezes, os recordavam do liceu, ouvindo estudantes fazer queixas sobre este ou aquele colega.

Sociólogos entrevistados indicam que está a ocorrer um prolongamento da adolescência, em que os filhos continuam dependentes dos pais.

A Universidade da Madeira, uma instituição de ensino superior com elevada taxa de estudantes locais, é um local propício a algum grau de inferência dos pais dos estudantes no seu percurso académico destes. Embora hajam restrições, é permitido aos novos estudantes, ao matricularam-se pela primeira vez na UMa, que sejam acompanhados por alguém, como explica Custódia Drumond, Vice-Reitora para a área dos Assuntos Académicos e Formação ao Longo da Vida.

Registou-se alguma situação em que o pai tenha agido como “encarregado de educação do seu filho” na nossa instituição?

Todo o pessoal técnico e auxiliar da Universidade da Madeira está informado que não pode responder a pedidos de familiares de estudantes, quando o mesmo é maior de idade.

Inclusivamente em reuniões em que o estudante participe, que lhe digam respeito, apenas com a autorização do estudante pode estar algum familiar ou outra pessoa.

Não se encontra registado nenhum caso em que tenham sido dadas informações de estudantes maiores de idade a pedidos por parte de familiares, que se intitulem de “encarregados de educação”.

Na matrícula/inscrição no 1.º ano, 1.ª vez pode o estudante fazer-se acompanhar por um adulto. Contudo nos dois anos as matrículas têm sido feitas online, pelo que a situação nestes dois últimos anos não se proporcionou.

No caso de um pai solicitar informação académica sobre o seu filho, que é estudante da UMa, há algum procedimento ou código de conduta para docentes ou funcionários? Conhece-se algum de maior insistência?

Como referi atrás não são dadas informações sobre o estudante, maior de idade, a outrem.

Os serviços podem informar sobre procedimentos, ou esclarecer sobre dúvidas em relação a processos, mas nunca sobre pormenores individuais.

A Reitoria não tem conhecimento de que tenham sido dadas informações sobre os estudantes a não ser aos próprios, mas sabe que por vezes os estudantes se fazem acompanhar por outras pessoas.

Docentes de muitas instituições de ensino superior falam de estudantes com comportamentos desadequados à sua idade em atividades letivas. Há casos desta natureza na Universidade? Algum espoletou qualquer reação institucional, por parte de alguma instância universitária?

Como indivíduos, os estudantes não atingem o mesmo grau de maturidade na mesma idade.

Numa turma encontramos estudantes de diversas idades, níveis de maturidade, formação, educação, capacidade de concentração, especificidades várias, algumas podem estar associadas a necessidades educativas especiais.

A Universidade da Madeira procura através dos seus regulamentos, código de ética e dos seus docentes criar nas salas e nos espaços de lecionação ambientes inclusivos e respeitadores de todos os participantes.

Entrevista conduzida por Carlos Diogo Pereira.
ET AL.
Com fotografia de Engin Akyurt.

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