Em setembro, a Universidade de Edimburgo anunciou o falecimento de Sir Ian Wilmut, investigador e professor daquela instituição que se tornou famoso por ser o “pai” da ovelha Dolly.
«Dinâmicas demográficas podem constituir alavanca para repensar oferta formativa»
A Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, afirmou que «as dinâmicas demográficas podem constituir uma alavanca para repensar o modo como as instituições pensam a sua oferta formativa», relembrando o contexto sociodemográfico, cujo impacto pode vir a ser relevante no sistema de ensino superior, durante a cerimónia de lançamento da primeira pedra do Laboratório de Inovação e Sustentabilidade Alimentar (LISA) do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave (IPCA), em Esposende.
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Nascido no Yorkshire, filho de dois professores, Sir Ian interessou-se, desde jovem, por Biologia. Na Universidade de Nottingham começou por estudar Agricultura, transferindo-se posteriormente para Ciências Animais, onde se especializou na crioconservação de embriões e sémen. Foi em Nottingham que liderou a primeira equipa a criar uma vitela a partir de um embrião criopreservado.
Desde 2005, o Professor Sir Ian Wilmut, instalado na Universidade de Edimburgo, focou-se na Medicina Regenerativa, tornando-se uma das autoridades da matéria. Já como Professor Emérito, em 2018, foi diagnosticado com Parkinson, tornando-se mecenas de um programa de estudo sobre a utilização de terapias capazes de retardar a progressão da doença.
Faleceu a 10 de setembro de 2023, deixando um legado gigante nas Ciências Biológicas e na Medicina.
A ovelha-clone Dolly, o mais famoso feito de Sir Ian Wilmut
Foi na Animal Breeding Research Organization, antecessora do Roslin Institute, que o Professor Wilmut, antes de se mudar para a Universidade de Edimburgo, se dedicou à investigação que o tornaria mundialmente famoso. Estávamos em 22 de fevereiro de 1997 quando foi anunciado que, em 5 de julho anterior, na Escócia, nascera o primeiro mamífero clonado a partir de células somáticas de um adulto.
Tatava-se de uma ovelha fêmea Finn-Dorset, uma raça híbrida das Ilhas Britânicas, obtida através da colocação de um núcleo somático de uma célula da ovelha-mãe, da mesma raça, num óvulo não fecundado retirado de uma ovelha da raça Blackface. O resultado foi uma cria precisamente igual à progenitora, uma vez que tinha exatamente a mesma carga genética.
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Verdade ou não, dado o núcleo usado na sua concepção pertencer a uma célula de uma das glândulas mamárias da ovelha-mãe, o bebé-clone recebeu o nome Dolly em honra de Dolly Parton, a diva da música Country, famosa, entre outras qualidades, pela robustez do peito.
A par de Nessie, o monstro do lago Ness, Dolly é atualmente um dos animais mais famosos da Escócia. A ovelha-clone teve uma vida relativamente curta (viveu 6 anos, quando uma ovelha pode viver até aos 12 anos), pensa-se que devido ao facto ao de ter sido clonada a partir do núcleo de uma célula adulta, cujos cromossomas apresentam as extremidades (chamadas telómeros) mais curtas do que se tivesse sido clonada a partir do núcleo de uma célula jovem. Uma vez que os telómeros desapareçam a integridade dos cromossomas e, consequentemente das células e dos organismos que elas constituem, fica comprometida levando ao envelhecimento ou a vários tipos de doenças.
De forma simples, Dolly “apanhou” a sua mãe no decorrer do envelhecimento e, em 14 de fevereiro de 2003, para evitar sofrimento por um declínio biológico precoce, foi abatida, ou, se se preferir, foi eutanasiada.
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O seu esqueleto e o seu velo foram preservados e montados e mostram-na como uma ovelha idosa mas de ar feliz, que é uma das maiores atrações do National Museum of Scotland, em Edimburgo. Antes da sua montagem, Dolly teve ainda direito à mesma honraria que Napoleão Bonaparte, Dante Alighieri e outras grandes figuras da História do Mundo: moldaram, em gesso, a sua máscara mortuária, que também integra do acervo do Museu.
Carlos Diogo Pereira
ET AL.
Com fotografia de Thavis 3D.