Redução da pegada ecológica e a implementação de boas práticas

A Académica da Madeira desenhou, com início em 2015, um extenso programa de acções para uma cultura cívica na ótica da sensibilização ambiental como ferramenta essencial para se atingir uma mudança de comportamentos em relação à protecção do meio ambiente.

Reduzir …

A primeira grande acção, com grande impacto ambiental e económico, foi o trabalho desenvolvido com vista à aplicação, na Universidade da Madeira, do artigo 163.º da Lei do Orçamento do Estado, lei n.º 42/2016 de 28 de Dezembro que estabelecia que, para a admissão de provas, seria suficiente o formato digital das dissertações, dos trabalhos de projectos, dos relatórios e das teses.

Em Março de 2017, e na sequência das dúvidas sobre a aplicação dessa disposição nas instituições de ensino superior, a Académica da Madeira reuniu com a Secretária de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Solicitou, também, aos órgãos da Universidade da Madeira que adequassem as suas exigências à luz da legislação em vigor, realidade que permitiria reduzir, em cerca de centenas de euros e milhares de folhas de papel, a conclusão de uma Licenciatura, Mestrado ou Doutoramento.

A resposta da UMa foi positiva e, através do despacho n.º 30/R/2017, de 25 de Maio, foi decretado que para a admissão de provas era suficiente o formato digital das dissertações reduzindo também, para entrega da versão definitiva, o número de exemplares em papel.

Ainda na lógica de reduzir como o primeiro e o mais importante passo para a educação e sensibilização ambiental, e no sentido de reduzir a utilização do plástico descartável, as máquinas de venda de café do Campus Universitário passaram a disponibilizar copos de papel e paletinas de madeira possibilitando a eliminação de milhares de recipientes de plástico.

Saliente-se, ainda, a colocação de sinaléticas a incentivar a redução no uso dos toalhetes de limpeza das mãos nas casas-de-banho do Campus Universitário e da utilização do elevador, em favor do acesso aos diferentes pisos do Campus pela escadaria.

Reutilizar …

O segundo passo foi o incentivo à reutilização dos resíduos que são produzidos através da utilização de copos recicláveis na Recepção ao Caloiro e no Corte das Fitas, colocação de uma pia de lavagem de copos e de garrafas reutilizáveis no Campus Universitário e a diminuição do custo do café a quem utilizar o seu copo ou caneca reutilizável. Isto, claro, no que aos espaços e serviços prestados pela Académica da Madeira diz respeito.

… Reciclar

O Reciclar+ é uma acção que integra a política de educação ambiental da Académica da Madeira e que surge a partir de uma colaboração com a Universidade da Madeira. É executado através do trabalho conjunto dos voluntários da Académica da Madeira e dos estudantes do Curso de Especialização Tecnológica em Guias da Natureza, coordenada pelo docente de Educação Ambiental, Hélder Spínola.

Numa primeira fase foram adquiridos e colocados cerca de 150 contentores específicos para a separação de resíduos (ecopontos) e cinzeiros fixos. A análise aos resíduos lá colocados permitiu concluir que, apesar de existir a intenção de reciclar os resíduos, tal não aconteceu correctamente.

A colocação dos ecopontos com apenas a cor e ao nome do contentor (embalão – amarelo, papelão – azul e resíduos normais – preto) não foi suficiente para que a maioria dos resíduos fossem reaproveitados como matéria-prima e transformados num novo produto.

Assinalou-se desta forma uma necessidade acrescida: assinalar, dentro do quotidiano académico, o que podia ou não ser colocado em cada um dos contentores. Essa sinalização permitiu melhorar terminantemente a qualidade da reciclagem, contudo, tal não se verificou na quantidade.

Ainda há, neste âmbito, “um longo trabalho de aprendizagem e de mudança de comportamentos a incentivar” considera Carlos Abreu, Presidente da Direcção.

Educar para o conhecimento mas essencialmente para o comportamento!

Transversalmente a tudo aquilo que foi implementado e o que ainda se encontra em fase de planificação, a Académica da Madeira tem promovido, há mais de um ano, acções mensais de reflorestação e de controlo de espécies invasoras no Parque Ecológico do Funchal.

“Mais do que um grupo com 100 ou 200 pessoas num só dia é do nosso entender termos 40-50 pessoas mensalmente por forma a ter maior sucesso e impacto quer no meio quer no indivíduo. Mais do que querer fazer muito é querer fazer bem. Isto porque se um voluntário tiver a oportunidade de plantar árvores ou eliminar plantas invasoras mais do que uma vez, os resultados serão previsivelmente melhores. A aprendizagem é contínua e o facto de termos voluntários que participam vários meses é positivo”, referiu Marcos Nascimento, responsável pelo programa que, desde Março de 2018, reúne voluntários no Parque Ecológico do Funchal.

A implementação de um serviço de cópias autónomo (You Print) onde o próprio estudante, na posse da conta de utilizador pode, ele mesmo, usufruir dos serviços a qualquer hora do dia, da noite e em qualquer local, permite que os utilizadores do serviço acompanhem, em tempo real, o impacto ambiental dos seus pedidos de impressão e fotocópias. Ao utilizar este sistema, além de sensibilizar o utilizador para a impressão de documentos apenas em caso extremo de necessidade face ao impacto ambiental da mesma, somos capazes de minimizá-lo ao devolver à natureza as árvores correspondentes às utilizadas na produção.

É a opinião de Carlos Abreu que ainda há um longo caminho a percorrer, contudo, salienta que “as deslocações mensais ao Parque Ecológico têm permitido não só a sensibilização de jovens adultos, portugueses e estrangeiros, para a importância na participação de acções que ajudam a diminuir o impacto ambiental, como também proporcionar a transmissão de valores como o companheirismo e espírito de equipa.

Estamos a falar não apenas de plantação no terreno, mas também de controlo de espécies invasoras e até mesmo de recolha de lixo e marcação de percursos pedestres. Há quem não esteja habituado e fique com bolhas de água nas mãos”, disse em tom de brincadeira. “Já foram plantadas mais de 20 000 árvores”, rematou.

Andreia Micaela Nascimento
Alumnus

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