Estaremos preparados para eventuais eventos sismológicos?

Os sismos são processos geológicos que ocorrem naturalmente sobretudo no limite das placas tectónicas.

As placas tectónicas estão sempre em movimento, movimentando-se muito lentamente, na ordem dos cm(s)/ano. Esses movimentos não contínuos geram por vezes o aparecimento de zonas de acumulação de tensão e posterior libertação dessa mesma energia (sismo) sobre a forma de ondas sísmicas.

Os sismos são o desastre natural mais difícil de prever, diria mesmo que é impossível prever o momento exato da sua ocorrência. Contudo, neste momento já existem sistemas de alerta rápido, ou seja, logo que o sismo ocorra é possível, através de sensores, receber essa informação e transmiti-la rapidamente no sentido de se poderem ganhar segundos importantes que permitam, por exemplo, parar comboios de alta velocidade.

Os sismos provocam também mudanças no campo gravítico da terra, essas mudanças levam ao aparecimento de sinais que se deslocam à velocidade da luz (300 000 km por segundo) e, como as ondas sísmicas só se propagam a uma média de 8 km por segundo, o objetivo é registar esses sinais (PGES) antes das ondas sísmicas chegarem e ganhar aí alguns segundos/minutos importantes para que sejam emitidos alertas precoces. A dificuldade é registar esses sinais.

A Madeira não está localizada no limite das placas tectónicas, que são zonas de grande intensidade sísmica, estamos numa zona intraplaca onde a sismicidade é muito menor (cerca de 5% de toda a sismicidade).

A grande maioria dos sismos que ocorrem perto da ilha da Madeira são de baixa magnitude e nem são sentidos, a exceção foi o sismo de 7 de março (5.2M) e de 15 de março (3.5M).
Desde o mês de março de 2020 que há uma concentração de pequenos sismos numa zona a cerca de 50 km a sul do Funchal até às ilhas Desertas.

Desde São Martinho (Funchal) até essa zona, existe uma crista (linha), a Funchal Ridge, constituída por cerca de 20 cones vulcânicos. A coincidência da localização dos sismos pode indicar a existência de uma relação entre o alinhamento de cones (crista) e a ocorrência de sismos, nomeadamente por ser uma zona frágil por onde, no passado, o magma conseguiu ascender e formou cones vulcânicos) e agora ocorrem sismos.

As medidas que devem ser tomadas no sentido de minimizar o impacto dos sismos, têm a ver com as medidas de proteção pessoal e coletiva, como também o cumprimento de regulamentos de construção antissísmica

Domingos Rodrigues
Docente da UMa

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