A doença mental – uma preocupação pós-pandemia?

A Organização Mundial de Saúde define a doença mental como uma distorção do pensamento e das emoções que decorre devido a uma deterioração do funcionamento psicossocial que depende de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

De acordo com as Nações Unidas, desde o início da pandemia, já é evidente um aumento dos sintomas depressivos e de ansiedade na população em geral. Quem já sofria de algum tipo de perturbação psicológica tem uma maior probabilidade de agravar ou agudizar os sintomas pré-existentes.

Para os restantes indivíduos, devido ao isolamento e à alteração inesperada da rotina, existe uma maior probabilidade de surgirem perturbações como a depressão, ansiedade, perturbações obsessivo-compulsivas e perturbações do sono. Estas poderão evidenciar-se através da alteração do sono, maior irritabilidade, stress, desesperança e incerteza face ao futuro, tristeza, apatia, angústia, entre outros.

Existem fatores que podem desencadear estas reações, nomeadamente, a instabilidade a nível laboral e a nível financeiro, a alteração da dinâmica familiar, a mudança abrupta da rotina ou até a obrigatoriedade do confinamento.

Existem grupos específicos de risco para o desenvolvimento de perturbações psicológicas, nomeadamente os profissionais de saúde que intervêm diretamente com doentes de COVID-19, devido a fatores como a sobrecarga laboral, decisões determinantes e risco de contágio; as crianças que apresentam necessidades especiais, crianças que vivem num espaço limitado e as que, com o confinamento ou suspensão das aulas presenciais, ficam mais expostas a assistir ou vivenciar situações de violência e abuso; e, por fim, os idosos que, muitas das vezes, e devido às medidas, veem as suas visitas limitadas, aumentando a sensação de solidão e tristeza.

Para combater estes sentimentos é importante manter a rotina e os horários habituais das refeições e de acordar; fazer uma alimentação equilibrada e exercício físico; estabelecer um contacto frequente com aqueles que nos são próximos; manter-se informado através de fontes de informação fidedignas como a DGS, a OMS ou a SRS24; ter em mente que já passou por situações difíceis e recordar-se das estratégias que o ajudaram a superá-las; evitar recorrer a substâncias psicoativas para lidar com os problemas; pensar de forma positiva e ter em conta que esta é uma situação temporária; e, acima de tudo, desabafar com alguém de confiança sempre que sentir dificuldade em regular as suas emoções.

Todas as pessoas têm problemas e podem, numa determinada altura de vida, ter alguma dificuldade em geri-los, que, quando agravada, origine um quadro de perturbação mental.

Qualquer um de nós pode sentir necessidade de receber acompanhamento psicológico e o apoio de um profissional pode conduzir ao regresso de um funcionamento saudável. É essencial termos o conhecimento de que a doença mental pode afetar qualquer pessoa e fazermos um esforço para sermos uma sociedade livre de julgamento e com capacidade de entender o outro.

Joana Dória Fernandes
Psicóloga Clínica e da Saúde

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