Investigação: Comunicação e Divulgação dos Resultados

«Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar»
Montaigne

Uma investigação só é considerada acabada ou completa quando entra no domínio público, ou seja, quando os seus resultados sejam difundidos e disseminados. Como nos diz Fortin: “A difusão dos resultados constitui a última etapa do processo de investigação. Esta etapa é o fim lógico dos esforços do investigador” (Fortin, 2009, p. 492).

Há várias possibilidades para a divulgação ou a apresentação dos resultados de investigação: alguns consistem em apresentações orais (tipicamente usando meios audiovisuais); outros envolvem escrever para atas de congressos, colóquios, conferências, revistas científicas ou editoras de livros; ou a combinação de formas escritas e orais.

Diferentes tipos de publicação têm diferentes finalidades. Por exemplo, apresentações em conferências (orais ou pósteres) são usualmente utilizadas para apresentar trabalho em progresso. Isto dá ao investigador não só a oportunidade de divulgar os seus resultados atuais, mas também para receber feedback valioso da audiência (em relação á apresentação, análise e interpretação dos dados).

Os vários tipos de publicação diferem no seu impacto e prestígio. Artigos publicados em revistas com arbitragem científica tipicamente beneficiam do mais alto estatuto (até mais que livros), pois eles são escrutinados rigorosamente por especialistas. Este estatuto é proporcional ao “fator de impato” da revista na qual o artigo é publicado.

Uma questão pertinente que se coloca é em que língua publicar. A tendência a seguir é a língua do “poder”. Se há 40 anos era o francês a língua ideal, agora é claramente o inglês. Uma das plataformas mais poderosas e mais reconhecidas de indexação é a do Institute for Scientific Information (ISI) situada em Filadélfia, nos Estados Unidos que regista as citações que existem nos artigos científicos. Cada referência é incluída na base de dados, dando origem à identificação do número de vezes que essa referência aparece num determinado período de tempo, e esses resultados são publicados no Science Citation Index (SCI). Por sua vez regista também a revista onde são publicados os artigos referenciados, dando origem ao “Journal impact factor” que dá origem a uma publicação, o SCI Journal Citation Reports. Este indicador – impact factor – é visto atualmente como um indicador de qualidade da revista. Igualmente prestigiado é o arquivo Scopus.

Há uma tendência na Europa e em Portugal para valorizar os artigos ISI e o factor de impacto. Contudo há críticas de investigadores contra este modo de procedimento.

Neste contexto, as melhores revistas para publicar são as de maior factor de impacto. Artigos científicos que são publicados em revistas sem arbitragem científica são considerados, por essa razão, artigos de divulgação.

Em resumo, quando se trata de publicar a primeira regra é publicar numa revista indexada numa base de dados ou numa plataforma eletrónica. As revistas não indexadas não existem, referem alguns autores. Os mais críticos dizem até que artigos não publicados no ISI não existem.

Referências e sugestões de leitura
· Fortin, M. (2009). Fundamentos e etapas do processo de investigação. Loures: Lusodidacta. (pp. 491-503).
· Oliveira, L. (2011). Dissertação e tese em ciência e tecnologia segundo Bolonha. Lisboa: Lidel (pp. 95-103).

António V. Bento
Professor da UMa

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