Há uma nova ministra nas Laranjeiras: a “mãe” do transístor de papel

Elvira Fortunato tomou posse como ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. Acumulou, durante décadas, prémios e distinções que fazem da nova ministra um dos grandes nomes da ciência mundial. Estará preparada para o peso do cargo político?

No início de março de 2022, a Presidência Francesa da União Europeia destacou a cientista portuguesa Elvira Fortunato para integrar o grupo de 27 mulheres inspiradoras da Europa, no âmbito do Dia Internacional dos Direitos da Mulher. Quando o elenco do XXIII Governo Constitucional foi anunciado, a 23 de março, a vencedora da 34.ª edição do Prémio Pessoa, Elvira Maria Correia Fortunato, foi apontada para a pasta da ciência, tecnologia e ensino superior.

Promessa do Nobel?

O JPN anunciava, a 25 de março, que a “Mãe” do transístor de papel era a nova ministra do Ensino Superior, numa criação tecnológica que partilhou com o marido, o cientista Rodrigo Martins.

Em 2020, quando Elvira Fortunato recebeu o prémio “Horizon Impact Award 2020”, entregue pelo Conselho Europeu, António Costa felicitou a cientista afirmando ser “um orgulho para Portugal e mais um excelente sinal que reconhece a importância da aposta estratégica na ciência e na inovação”. A ministra “muito curiosa”, que queria saber, nos seus tempos de liceu, “o porquê das coisas”, como confessou ao JN em 2018, foi distinguida com o Prémio Mundial de Engenharia, ano passado, o World Federation of Engineering Organizations (WFEO) GREE Award Women 2020. A WFEO integra as principais associações de engenharia a nível internacional, representando mais de 30 milhões de engenheiros de 100 países.

Licenciada, em 1987, em Física e Engenharia de Materiais pela Universidade Nova de Lisboa e doutorada, em 1995, em Engenharia de Materiais: Microelectrónica e Optoelectrónica, pela mesma universidade, a cientista acumulou prémios e distinções durante mais de duas décadas de carreiras na investigação. A sua biografia, no portal do governo, refere que é professora catedrática no departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e atual vice-reitora da mesma universidade onde tem coordenado a área de investigação desde 2017.

Com mais de 800 publicações científicas, recebeu, nos últimos anos, mais de 30 prémios e distinções internacionais pelo seu trabalho, sendo de destacar a condecoração com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República em 2010; a Medalha Blaise Pascal em 2016; o Prémio Czochralski em 2017; o Prémio Pessoa de 2020; o Prémio Horizon Impact da Comissão Europeia em 2020 com o projeto INVISIBLE; o Prémio da Federação Mundial da Ordem dos Engenheiros, WFOE GREE AWARD Women em 2020; o Prémio Estreito de Magalhães do Governo do Chile em 2020; o prémio de Inovação em Materiais 2021 concedido pela FEMS; e o Prémio dos Direitos Humanos concedido pela Assembleia da República em 2021.” — portal do XXIII Governo Constitucional.

Como noticiado pelo Observador, a 24 de março, a ministra herdou “a responsabilidade de implementar as soluções que já tinha proposto”, num “país com uma ciência burocrática e precária”, a habitual dúvida que paira sobre todo o elenco governativo não deixa a cientista livre.

A sua carreira na investigação, com um currículo de prestígio e imaculado, antevê um conhecimento vasto da máquina universitária e do funcionamento da investigação em Portugal. A sua prestação política, apesar dos cargos que já exerceu na Academia, é, tal como outros ministros e ministras, a grande incógnita dessa equação que se desenvolverá nos próximos quatro anos. Sem poder de influência junto da pasta das Finanças, ou de António Costa, para reforçar o orçamento das universidades, dos politécnicos e das escolas superiores, dificilmente conseguirá alterar o atual modelo que continua a estrangular as instituições, tanto na investigação como na componente do ensino.

Luís Eduardo Nicolau
ET AL.

Biografia

Portal do XXIII Governo Constitucional

Elvira Maria Correia Fortunato nasceu em Almada, em 1964.

É Licenciada em Física e Engenharia de Materiais (1987, FCT/Universidade Nova de Lisboa) e doutorada em Engenharia de Materiais: Microelectrónica e Optoelectrónica (1995, FCT/Universidade Nova de Lisboa).

É professora catedrática no departamento de Ciência dos Materiais da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, e atual vice-reitora da mesma universidade onde tem coordenado a área de investigação desde 2017. É também diretora do Laboratório Associado Instituto de Nanomateriais, Nanofabricação e Nanomodelação. Entre 2015 a 2020, integrou o grupo de 7 investigadores do Mecanismo de Aconselhamento Científico da Comissão Europeia para apoiar as decisões da Comissão Europeia com base na evidência científica.

Integrou, desde 2010, a Chancelaria das Ordens Honorificas de Portugal, a funcionar junto da Presidência da República.

É pioneira na investigação europeia sobre eletrónica transparente, utilizando materiais sustentáveis e tecnologias amigas do ambiente. Em 2008, na 1ª edição das bolsas do Conselho Europeu de Investigação, European Research Council ERC, obteve uma Advanced Grant com o projeto INVISIBLE, considerado pela Comissão Europeia uma história de sucesso. No mesmo ano demonstrou com o seu grupo a possibilidade de fazer o primeiro transístor de papel, iniciando um novo campo na área de eletrónica de papel. Em 2018 recebe a segunda Advanced Grant com o projeto DIGISMART. Recentemente, e no seguimento dos resultados exploratórios do projeto DIGISMART, consegue uma Proof of Concept com o projeto e-GREEN: Da floresta para a Eletrónica Verde, centrado na exploração de materiais e tecnologias amigas do ambiente e de baixo custo.

Em 2022, integrou o grupo de 27 mulheres inspiradoras da Europa, eleitas pela atual Presidência Francesa da União Europeia.

Com mais de 800 publicações científicas, recebeu, nos últimos anos, mais de 30 prémios e distinções internacionais pelo seu trabalho, sendo de destacar a condecoração com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo Presidente da República em 2010; a Medalha Blaise Pascal em 2016; o Prémio Czochralski em 2017; o Prémio Pessoa de 2020; o Prémio Horizon Impact da Comissão Europeia em 2020 com o projeto INVISIBLE; o Prémio da Federação Mundial da Ordem dos Engenheiros, WFOE GREE AWARD Women em 2020; o Prémio Estreito de Magalhães do Governo do Chile em 2020; o prémio de Inovação em Materiais 2021 concedido pela FEMS; e o Prémio dos Direitos Humanos concedido pela Assembleia da República em 2021.

É membro eleito da Academia de Engenharia, Academia Europeia das Ciências, Academia das Ciências de Lisboa e Academia Europaea. Integrou o Conselho de Curadores da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento desde 2014.

Coordenou vários projetos nacionais e internacionais, sendo de realçar a sua atividade pioneira na Universidade Nova de Lisboa na área da igualdade de oportunidades através do projeto SPEAR, uma plataforma europeia de apoio e implementação de planos para a igualdade de género em instituições do ensino superior.

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