Erasmus? Espera sentado…

A Universidade da Madeira faz festa com mais de 100 vagas para os programas de mobilidade, mas esquece de resolver os problemas que tornam a viagem uma via sacra para os estudantes. Publicidade enganosa?

Quando se trata de respeitar datas e cumprir prazos, não há filosofia nem física quântica que ajude os estudantes da Universidade da Madeira. Sobretudo quando o tema é: candidaturas ao programa Erasmus+.

Da mesma forma que o semestre em que os alunos ficam noutro país lhes parece três dias, o tempo necessário à prossecução da candidatura e restantes burocracias parece meses. Isto quando não se trata, efectivamente, de meses ou de anos a tentar finalizar o processo, algumas das vezes sem sucesso, para descontentamento de muitos alunos.

A falta de clareza nas informações prestadas relacionadas com os requisitos é um dos problemas apontados, como referido por um aluno que indica que “deveriam informar os alunos que se encontram no primeiro ano, aquando da candidatura, que esta não seria aceite pois não apresenta os requisitos mínimos, sendo por isso preferível realizarem a mesma durante o primeiro semestre do seu segundo ano.”

Mais recorrentes são as várias reclamações de respostas tardias ou inexistentes, como apontado por uma aluna que referiu estar “há já um ano interessada em saber e adquirir informações” sobre o programa Erasmus, mas sem qualquer resposta por parte da responsável da Universidade por essa pasta, “primeiro presencialmente no Colégio dos Jesuítas” e depois através do envio de “vários e-mails aos quais nunca obtive resposta”.

Mais preocupante é o caso reportado por outro aluno que se encontrava em vias de finalizar o processo para participar numa mobilidade internacional do programa Erasmus+. O referido aluno necessitou de dois documentos oficiais, tendo recebido o primeiro deles 2 semanas depois do pedido e apenas após quase 10 chamadas telefónicas “visto que [a responsável da Universidade] não me respondia aos e-mails”. Em relação ao segundo documento, passado um mês após o pedido ainda não o tinha, nem qualquer justificação para o atraso e, ao contactar os Serviços Sociais da Universidade, a resposta que recebeu foi que é “regular este tipo de acontecimentos com a Dr.ª [responsável da Universidade]”, o que indica que há conhecimento deste tipo de acontecimentos mas não há, aparentemente, qualquer tipo de intenção em mudar.

Infelizmente, existem dezenas de outros casos como os citados. A internacionalização é um processo de duas vias: importa saber receber, mas também importa garantir que quem representa a nossa Academia além fronteiras passa uma boa imagem. Por enquanto, a imagem é que a Universidade, através dos seus funcionários, não quer nem dá satisfações aos seus alunos nessa matéria, mas os comunicados de imprensa dão outra imagem da realidade. Falando em Erasmus+: será para Inglês ver? Acreditamos que não, nem que seja pelo Brexit.

Ricardo Jorge Martins
Luís Eduardo Nicolau

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