O novo mestrado em Educação

A Universidade da Madeira apostou, neste ano letivo, em novos mestrados, aumentando a oferta formativa em três novos cursos nas áreas das ciências sociais, das artes plásticas e da educação.

Entrevistámos Liliana Rodrigues, Diretora de Curso do mestrado em Educação e Desenvolvimento Comunitário, para conhecer um pouco deste novo curso de 2.º ciclo da UMa. Esta é a primeira parte da entrevista.

O que levou à criação deste Mestrado?

A criação de algo tem sempre a ver com aquilo que somos e com os contextos de que somos produto e produtores. Isso implica olharmos para as condições institucionais e percebermos se é ou não possível avançar com projetos que nos distinguem dos demais, não por mero capricho, mas porque acreditamos naquilo que fazemos.

Daí que, em conformidade com a estratégia formativa da UMa face à sua missão institucional, e num contexto particularmente difícil de crise sanitária, económica e social, consequência da pandemia que assola o mundo, mas onde os mais frágeis, com pequena dimensão e menor poder de reivindicação são os mais penalizados, este Mestrado, atento à realidade desta Região Insular e Ultraperiférica, procura responder às necessidades de desenvolvimento comunitário, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida da população, com base em processos de mudança, transformação e inovação social.

É seu objetivo geral criar uma rede de especialistas certificados para tarefas no domínio da formação e da educação, enquanto agentes promotores de desenvolvimento integrado, assente numa cidadania ativa, em parceria com instituições com forte implantação na comunidade, designadamente, serviços públicos regionais diversos (saúde, economia, ambiente, etc.), autarquias, igreja, na concertação de estratégias de ação, numa perspetiva multidisciplinar.

A minha experiência na política europeia foi uma mais-valia para perceber a dimensão local da intervenção comunitária. Mas aqui não posso deixar de agradecer à Professora Jesus Maria Sousa que me fez refletir, recuar, avançar, redesenhar e pensar os propósitos deste trabalho. Isso é já ensinar sem saber que se está a aprender. Poucos têm a sorte de ter “Mestres” assim. Agradeço-lhe por isso.

O que pode destacar da formação que é oferecida aos estudantes, neste ciclo?

Destaco a reflexão que antecedeu o desenho final, baseado em eixos de intervenção, deste ciclo de estudos. Estamos a falar de cerca de ano e meio a preparar este dossier , com mais ou menos apoios, e que chegou a este resultado que foi a aprovação pela A3ES.

Neste mestrado há uma integração e articulação lógica das UC tendo em vista o grande propósito final. Partimos agora das necessidades da(s) comunidade(s) regional e local(ais) da Madeira e do Porto Santo, sem as coartar, todavia, da necessária abertura ao mundo e aos processos de globalização. Assim, a estrutura do plano de estudos, no 1.º ano, terá UC resultantes de grandes eixos temáticos de Desenvolvimento Comunitário, que elegemos, acentuando o seu vínculo com a Educação, conforme Política de Coesão e de Desenvolvimento da UE em vigor, e na linha dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, cf. Agenda 2030:

(1) Coesão Social, Territorial e Económica;
(2) Proteção Civil;
(3) Ambiente e Sustentabilidade;
(4) Igualdade e Inclusão;
(5) e Saúde e Bem-Estar.

A acrescer, no 1.º semestre do 1.º ano, os estudantes terão uma UC opcional, de entre duas, viradas para a Cidadania, e para as questões da Autonomia. O 1.º semestre contemplará também uma UC de abertura à filosofia deste mestrado, designada de Educação e Desenvolvimento Regional. Além disso terá no desenho curricular do 1.º semestre também uma UC de Metodologias de Investigação em Ciências Sociais, que preparará o estudante para o desenho, no 2.º semestre, do seu Projeto de Investigação ou de Intervenção Comunitária. Consoante o Projeto seja numa ou noutra direção, o 2.º ano será dedicado ou à elaboração da Dissertação ou à realização do Estágio, com momentos de reflexão partilhada em Seminário. Deseja-se que o Mestrando, em articulação com políticas delineadas a nível local, regional, nacional e internacional, seja crítico, observador e proativo, comprometido com o desenvolvimento local.

Repare que em 108 ECTS, 87 são da área científica de Educação. Os restantes estão distribuídos pelas áreas de Ciências da Saúde, Ciências da Vida, Engenharia Civil e Geologia. Percebemos, com muita facilidade, que a Ciência se constrói no diálogo entre as diversas áreas de investigação científica. Não há áreas maiores ou menores do ponto de vista epistemológico, ou da sua validade paradigmática. As disciplinas científicas têm a obrigação de comunicar, inclusive com o senso comum.

Face à aposta da internacionalização da UMa, o mestrado está preparado para a possibilidade de funcionar em formato bilíngue, para estudantes estrangeiros?

Há uma forte dimensão da política europeia nesta formação. Os nossos professores estão, naturalmente, preparados para lecionar em português e inglês. Aliás, o corpo docente deste mestrado é composto por professores/ investigadores e quem está na investigação sabe da importância da língua inglesa como língua de trabalho.

Entrevista conduzida por Luís Ferro
ET AL.
Com fotografia de Helena Lopes.

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