A Residência não é apenas um espaço para dormir

Parece-nos estarmos perante uma Residência Low cost à semelhança das companhias aéreas: custo baixo e apetecível mas se precisares de marcar lugar, comer uma bolacha rija, levar uma mala, ou quase garantir um lugar sentado …. é obrigatório desembolsar muito mais.

É sabido que o acesso ao Ensino Superior pressupõe, desde logo, alguns desafios desde a qualidade do ensino até às condições que o suportam. Comecemos pelo básico, comecemos pelo alojamento adequado com a disponibilização de serviços e acessos condizentes. Falemos sobre a nossa Residência Universitária.


Spoiler alert
: existem vários problemas!

Ao contrário do que se vive, ano após ano, noutros pontos do país, na Madeira, a questão da oferta de camas ainda não é um verdadeiro problema. É certo que a questão da internacionalização poderia ser potenciada mas, entre muitos outros factores, o alojamento e as suas condições teriam que ser repensadas. Mas, tomemos conta de uma coisa de cada vez. Como em tudo, começar por melhorar o que já existe será o melhor caminho a seguir.

É inevitável! Apesar de diversas tentativas de melhoramentos, indicando o quê, porquê e como, não conseguimos evitar. O descontentamento em torno das condições existentes na Residência é cada vez maior entre os seus residentes e familiares. Entre diversos problemas já assinalados, ao momento, o principal foco de descontentamento são as cozinhas, onde um fogão, um microondas e um frigorífico tem que ser partilhado por 50 residentes, isto se as cozinhas dos restantes pisos estiverem funcionais. Caso não estejam ou apresentem algum pequeno ou grande electrodoméstico avariado, os utilizadores podem duplicar. Se dois ou três familiares em casa conseguem semear o pânico quando juntos na cozinha, imagine-se o que se vive diariamente na Residência.

É fundamental promover a união e o trabalho de equipa, mas esta não me parece ser a forma mais adequada de o fazer. Quantas vezes ouvimos: “Ok, não há fogão, o microondas também serve ou se usares o do vizinho. Chaleira? Depende do dia. Frigorífico? É possível mas só se chegares primeiro, caso contrário não dá para todos”.
Mas é económico, dizem. O alojamento na residência universitária seja no Funchal ou em Trás-os-Montes é, sem dúvida, mais económica e segura para alojar um estudante universitário. Mas será?

Actualmente, o preço para os estudantes não bolseiros está fixado nos 170 € mensais, num quarto partilhado por três pessoas. Claro que referimo-nos ao básico. Contudo, se necessário for outro conforto ou serviço básico adicional as coisas mudam de figura. Senão vejamos:

+ 5 € para teres aparelhos elétricos no quarto;
+ 24 € por um conjunto de lençóis (2 lençóis + 1 fronha);
+ 6 € por uma almofada;
+ 6 € por uma toalha de rosto;
+ 10 € por uma toalha de banho;
+ 26 € por um cobertor.

Lavandaria? Isso depende. Uma lavagem de roupa, usando uma máquina tipo industrial, custa 2,50€. Contudo, se pensarmos no desperdício e na causa ambiental ou juntamos toda a roupa durante 2 semanas sem a lavar, ou gasto mais lavagens com a máquina quase vazia, garantindo, contudo, que tenhamos roupa fresca a usar. Também existe a possibilidade de juntarmos a nossa roupa, incluindo a íntima, à dos nossos colegas que por vezes nem sabemos quem são.

Parece-nos estarmos perante uma Residência Low cost à semelhança das companhias aéreas: custo baixo e apetecível mas se precisares de marcar lugar, comer uma bolacha rija, levar uma mala, ou quase garantir um lugar sentado …. é obrigatório desembolsar muito mais. Não é por acaso que diversos cursos contemplam, nos seus guias privados de recepção aos novos alunos, alojamento em apartamentos, quartos e vivendas que, mesmo que partilhados, não enfrentam problemas que influenciam, inclusive, o seu desempenho académico a custos semelhantes.

Contextualizando o problema, e fazendo juz às situações reportadas e às tentativas de diminuição do descontentamento, é fundamental exigirmos que novas dinâmicas sejam criadas para enfrentar os desafios futuros. A imagem da residência escurece a imagem da Universidade da Madeira, não tenhamos dúvidas. Basta ouvirmos que lá vive.

Marcos Nascimento
Alumnus

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