Relações de dependência: quando os afetos nos aprisionam

O ser humano é um ser social, influencia e é influenciado. Tem a necessidade de ser reconhecido pelos outros, estimado e amado. Ter amigos e pertencer a um grupo contribui, por isso, de uma forma significativa para o seu bem-estar psicológico e para a definição da sua identidade pessoal.

No entanto, por vezes, o desejo de ser aceite pelo outro pode tornar-se excessivo. Várias experiências sociais comprovaram o poder da influência dos outros sobre as atitudes pessoais. É disso exemplo a experiência feita com um grupo de jovens adolescentes, em que lhes foi pedido que indicassem, de entre diversas opções, qual a linha mais comprida observada. Previamente, todos os jovens, à exceção de um, foram instruídos a indicar incorretamente a resposta. O jovem, alvo de estudo, ainda que desconfiado da opção dos restantes, decidiu seguir a resposta destes, negando assim a sua própria opinião. Este mesmo resultado foi obtido com 75% dos jovens que participaram na experiência.

Querer ser aceite e seguir os outros não se traduz necessariamente em algo prejudicial, a menos que se transforme numa relação de dependência. Por vezes, e por falta de confiança, o desejo de aceitação torna-se tão forte que a pessoa acaba por se tornar prisioneira do outro, do afeto que é nutrido por este e pelo desejo de o agradar… “De cada vez que penso em acabar a relação entro em pânico…”; “Quando ele/a não me telefona, tenho crises de choro e não me consigo concentrar.”; “Preciso da opinião e validação constante das pessoas que me são próximas até para as pequenas decisões do dia a dia, e quando não as tenho sinto-me perdido e extremamente ansioso”. Estas expressões refletem situações em que uma relação de dependência foi estabelecida, o que acarreta, como consequência, grande sofrimento, sentimentos de culpa e de impotência, e, acima de tudo, leva a relações não satisfatórias. Note-se que o conceito que a pessoa tem de si tornou-se dependente da relação estabelecida com o outro, podendo a sua identidade pessoal ser ameaçada, tanto mais se este laço for quebrado (“Não me sinto dono da minha própria vida, sinto-me refém de uma vontade que não é a minha.”)

O que fazer então para manter uma relação saudável?

A confiança é a chave para o sucesso da relação. Para construir uma vinculação segura ambas as partes devem ser consistentes, ter atitudes coerentes, respeitar o espaço e a posição do outro, permitir a abertura da relação e a socialização com outros elementos de um grupo social, bem como ter confiança em si próprio e no outro.

Por isso, caso se sinta demasiado dependente da relação que tem estabelecida com alguém, questione-se acerca do que poderá estar na origem dessa insegurança e tente reconstruir o significado dos papéis que atribui a si e ao outro nessa relação, porque em certas ocasiões talvez seja tempo para dizer…

“Daqui para a frente vou voltar a andar com as minhas próprias pernas e reassumir o comando da minha vida”.

Serviço de Consulta Psicológica

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